quinta-feira, 27 de agosto de 2009

mundo e vida

Foto obtida do junto ao espaço da "CIDADE DAS FORMIGAS", traineira a regressar pesca. em frente a vila e a praia da Nazaré

A CIDADE DAS FORMIGAS

A neta Inês festeja hoje 27 de Agosto de 2009, seis anos. No caso é uma vida acompanhada por uns avós babados, como se diz.
Sendo pais duas vezes também a vivem, observam o crescimento e aprendem com o espírito imaginativo que, dia a dia, se vai revelando.
Particularmente, devo muito à grande amiga Inês, antes da pré-escolar vinha cá para casa, seria eu bebé como ela, olhava-a e pensava para comigo:
- Afinal reaprendo com a bebé, está a ser-me muito útil!
Sendo muito viva, sabe já ser muito carinhosa, ainda me vê como aquele garoto das brincadeiras.
Continuamos a brincar, aos detectives, às escondidas, às escolas, aos logistas, etc. Ela é que apresenta as ideias, tem de ter sempre o estatuto mais elevado.
Por exemplo, no capítulo escolas, um dia a experimentá-la, em vez de aluno, sugeri passar a professor:
- Lógica linear imediata:
- “Não pode ser, na minha escola não há professores, só professoras”!
Em Junho passado, estávamos de férias na vila piscatória e turística da Nazaré, num dos apartamentos da zona portuária.
De combinação com os pais, eles lá a levaram a passar um fim-de-semana. O apartamento e o mar eram separados apenas por uma estrada.
Antes um espaço murado, com alguns arbustos e areia, havia caracóis em crescimento, pediu um utensílio e andava encantada com os que ali colocou.
Depois viu muitas formigas!
Também gosta muito, arrumou os caracóis e com a imaginação a fervilhar:
- Disse Daniel, vou construir a cidade das formigas, ficas aí a ver?
Pegou numa pedrinha que encontrou e toca de abrir sulcos, a fazer de ruas, depois encontrou outras pedrinhas, ia pô-las em cima do muro.
Sugeri colocá-las como as estátuas da cidade:
- Boa!...
Respondeu, então a cidade estava mais completa, ia falando sempre. Era a deixa para ir dando opiniões e fazendo pedagogia.
Fui dizendo que estava a ficar linda, à roda dos arbustos, mesmo a brincar, devia ajeitar tudo, a fingir de praças como nas verdadeiras cidades, etc.
Começou a haver, carreiritos de formigas, nos sulcos, a miúda olhava encantada, a sua cidade das formigas e eu ternamente embevecido a olhá-la a ela.

PARABÉNS, PELO TEUS SEIS ANOS, BOA NETA INÊS!...

Daniel Costa
Texto e foto


terça-feira, 25 de agosto de 2009

mundo e vida



GRITOS NO PARLAMENTO

Um homem ao passar pela porta da sala do Senado, escuta grande gritaria saída de dentro:

- “Ladrão, salafrário, corrupto, falsário, oportunista, chantagista, assassino, traficante, mentiroso, vagabundo, sem vergonha, trambiqueiro, preguiçoso, vendido, assaltante…”

Assustado, o homem pergunta ao segurança parado na porta:

- “O que está a acontecer ali dentro? Estão a brigar uns com os outros?”

- “Não” - responde o segurança:

- “Estão a fazer a chamada!....”


Arranjo de texto de uma circular apócrifa.

Postado por Daniel Costa

sábado, 15 de agosto de 2009

Lourinhassauros


Uma valiosa ala de paleontologia, terminando no Forte Paimogo.
Ao longo de 9.900 metros, o caminhante pode visitar outros pontos de interesse histórico, como o Convento de Santo António, a Igreja da Misericórdia e a Igreja do Castelo e deslumbrar-se com belas paisagens naturais, com especial destaque para as praias de Areia Branca, Vale Frades, Caniçal e Paimogo.

LOURINHÃ - Capital de Dinossauros

Visitar a vila da Lourinhã, é conhecer uma das regiões bastante atractivas do Oeste. Primeiro temos toda a orla marítima detentora de grande beleza paisagística, mesmo se mencionar só o Paimogo, com a sua pequena praia e marina e a Areia Branca, com o seu areal mais extenso, que se pode alcançar vindo daquele paraíso por uma estrada existente na marginal.
Daí se pode chegar à Lourinhã, onde no centro, à entrada da Rua João Luis de Moura, encontramos com facilidade o edifício que albergou o velho tribunal da comarca.
Aí está instalado o Museu dos Dinossauros, o que faz da vila capital dos mesmos, mercê da existência do Museu e de ser a região onde mais têm aparecido jazidas de pequenos fósseis ósseos desses animais, alguns gigantescos, que há milhões de anos povoavam, a terra.
O maior núcleo Museológico de fósseis de dinossauros ou dinossaurios do país encontra-se naquela vila.
Para os habitantes da grande Lisboa, há ainda a vantagem de se encontrar a uma hora de automóvel e compreende outras secções, atractivos museológicos com que vale a pena tomar contacto numa visita guiada.
Assim temos o Pavilhão da Paleontologia com a sua colecção dos fósseis dos Dinossauros, pertencentes ao Jurássico superior, com 150 milhões de anos.
Há a destacar o ninho de ovos do Lourinhanossauros, um carnívoro, entre outras espécies únicas conhecidas no mundo. Aliás é por isso que Lourinhanosauros é a designação mundial para esta classe de mamutes, que o Museu se orgulha de apresentar.
Já em 09/11/1999 os CTT lançaram uma série de selos a extrair de máquinas (Etiquetas EIFA), em que uma das estampilhas apresenta a reconstituição do mesmo. Foram lançados também naquela vila com carimbo comemorativo. Este facto, só por si foi se extraordinário relevo.
Porém o Museu vai mais longe, apresenta vários núcleos como Arqueologia, compreendendo o Paleolítico, o Mesolítico, o Neolítico, o Calcolitico, o Romano e a Idade Média.
Depois Etnografia Agrícola, Sala das Profissões, Sala das Colectividades e Tempos Livres, Arte Sacra, terminando na Casa Tradicional Saloia.
Como se vê, tudo muito apelativo para se efectuar uma Visita ao Museu e à região, numa jornada de passeio a valer a pena, visto que há na zona uma gastronomia a fazer as delícias dos bons amadores.
Pessoalmente, guardo recordações de dois locais onde foram feitas as recolhas fósseis. Actualmente sei que não era acaso o fascínio e o próprio cheiro de aventura, que experimentava, em todos os sítios de Paimogo, onde sempre me pareceu haver algo a descobrir.
Miragaia também me atraiu muito, achei o sítio cheio de mistério.
Ai está: Foi a localidade do achamento do Lourinhanossauros.
Além dos apontados, foram encontradas também jazidas de restos daqueles animais, noutro ponto do concelho da Lourinhã. Trata-se da localidade de Porto Dinheiro, sensivelmente a Oeste da vila, também muito visitada, pela situação de privilégio, na orla marítima ainda pela afamada indústria gastronómica existente.
Todas as secções me merecem, o maior respeito, visto que muitos dos ultrapassados instrumentos expostos marcaram a minha juventude.
Fixo-me nos maguais que se apresentam, embora a designação no velho Oeste, por quem os manejava fossem, de "malháis", o que me parecerá mais correcta, porque serviam para debulhar as maçarocas de milho malhando-as, com convicção.

Os velhos manguais, que manejei com destreza, conhecia-os por malháis

Normalmente, em Agosto ou Setembro, em grandes serenatas, era o tempo de nas eiras, em grupos, hoje numa, amanhã na do amigo, se proceder ao ritual de efectuar pelo processo de malhação, a debulha das maçarocas.
A reunião daqueles grupos efectuando as malhadas, era como que um ritual folclórico, enquanto um trabalho bastante árduo, que a colheita do milho desencadeava.
Manejar o mangual exigia muita perícia, naquele vai e vem rápido acima e abaixo, com os trabalhadores aos pares, em movimentos cadenciados, acabando por deixar passado um certo tempo, todo o milho separado do sabugo como se prendia.

Daniel Costa

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

mundo e vida

Gabriel de Sousa - o autor
Capa do livro

ESPELHOS IMAGINARIOS

“ESPELHOS IMAGINÁRIOS”, é a designação do livro de contos, que Gabriel de Sousa assina e que a Usina de Letras, editou na capital brasileira, Brasília.
Gabriel de Sousa, a quem posso chamar amigo, pois já nos conhecemos de há uns anos, apareceu com um exemplar para me oferecer, tendo a meu pedido escrito uma dedicatória.
Isso não me obrigou a fazer o “frete” de o referenciar, já que aprecio os amigos, pelo que são e sobretudo pelo que fazem.
Tanto assim é que acabei de reler o livro para o poder comentar, sem a emoção que me tinha causado, sem violentar a minha sensibilidade e os meus próprios princípios de equidade.
Na primeira leitura, já que sou do tipo emocional, com certos contos, cheguei a emocionar-me, pois o escritor ficcionou a realidade actual, conseguiu focar a mesma actualidade, escrevendo na primeira pessoa.
Em contos, como “Nunca Digas Nunca” em que é focado o problema do rapto de menores e a consequente utilização na filmologia porno, é uma história de plena actualidade.
Desenraizados”, em que baseia a história na emigração, motivada pela abertura das fronteiras, dos países do espaço económico da Europa – CE.
Como estes, bastantes contos fazem parte do livro e demonstram as preocupações sociais do escritor.
Constam do livro, de 310 páginas, trinta e quatro contos.
Pena é que o mesmo só possa ser adquirido directamente no Brasil, porque a obra nascida do espírito inquieto de Gabriel de Sousa, devia vir chegar ao conhecimento do leitor português, sobretudo, pela sua actualidade e realismo.
Para adquirir uma copia desse livro, entre em contacto com: USINA DE LETRAS – SCS Quadra 01 Bloco E – Ed. Ceará sala 809 Brasília – DF – CEP: 70303-900 – www.usinadeletras.com.br
Deixo aqui outros dados do currículo do autor, por não serem displicentes. Estão publicados nas badanas do próprio livro:

O autor nascido em Lisboa em 1938, encetou a sua vida profissional aos 15 anos, frequentando simultaneamente, à noite, um curso comercial. Cedo se afirmou no entanto como autodidacta, aprendendo sobretudo com a sua vivência e tirando partido do seu imenso gosto pela leitura.
Intensa vida associativa, jornalística e cultural, sobretudo nos anos 70.
Director do Ateneu Comercial de Lisboa, durante vários anos, coube-lhe o pelouro e a chefia da Redacção do Jornal da Instituição.
A partir dos anos 90, em virtude das suas obrigações profissionais cessou praticamente a sua actividade cultural e literária, que só veio a retomar quando da passagem à situação de reforma em Dezembro de 2000. Condecorado pelo Governo Francês com a Medalha de Honra do trabalho “Grand Or”.
Site principal do autor: www.topatudo.blogspost.com

Daniel Costa

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Mundo e Vida


Encostada à parede da direita, na foto pode ver-se um galinheiro em madeira, com coelheira superior decadente. Estrutura também construida por mim já aos dezasseis anos.

A MAGIA DOS BRINQUEDOS

Devia ter apenas cinco anos de idade, quando numa última interacção nas brincadeiras dos filhos, o meu pai construiu para mim um carrinho de bois de caniço.
Como magia, bastou para a minha aprendizagem, a ponto de em casa não mais terem faltado construções de brinquedos de caniço.
De facto estes brinquedos artesanais estavam, em exposição na escola primária que funcionava perto da minha casa.
Seria a professora que, achando naquelas peças algo do folclore local, tratou de promover a sua mostra dependurando, estrategicamente vários numa das paredes da sala de aula.
Possuí variados daqueles brinquedos, todos imaginados e executados por mim próprio.
Era assim uma aldeia do Oeste desse tempo, onde dominava um certo atraso e pobreza, em virtude de estar-se ainda a viver o fim da Segunda Guerra Mundial, o açúcar ainda se adquiria por racionamento.
Ainda me acho capaz de indicar como se executavam os carrinhos de bois de caniço.
A ferramenta era apenas o que havia à mão, uma faca de cozinha, com o indispensável bico, com a mesma se faziam os respectivos cortes no caniço seco, consistiam no seguinte:
- Dois pedaços à medida, compunham as partes laterais, um bastante maior fazia o centro da estrutura, enquanto em conjunto formava o cabeçalho (varal) do carro.
Nos dois pedaços iniciais, faziam-se buracos com o bico da mesma, de modo a que ficassem rectangulares só do lado de dentro. No centro os furos eram executados dos dois lados.
Na mesma direcção a meio, nos vértices, por debaixo dos dois primeiros pedaços, faziam-se furos mais pequenos de onde iam partir as estruturas para o rodado.
Posto isto, dum outro pedaço tiravam-se as chamadas travessas, que constavam de caniços rachados, tinham de encaixar bem em todos os buracos, ficando assim feita a estrutura do carrinho:
- Às travessas dava-se a função de, outra vez com bocados de caniço lascado, tamanho igual e entrelaçados, a construir o estrado.
A seguir dava-se a construção do inevitável rodado, ia-se aos furos que se tinham inserido noutro ângulo e com quatro pequenos pedaços, dois de cada lado, eram metidos outros tantos pequenos nacos mais finos, que teriam de ficar salientes.
As rodas já não eram de caniço, mas sim de madeira, tirada de carrinhos de linhas, que serviam para executar rendas de bilros de Peniche, actividade muito vulgar naquele tempo, nas tarefas das donas da casa do citado concelho.
Sempre a mesma faca, separava o interior dos citados, que imitavam muito bem as rodas, ligando-as depois com eixo feito também de caniço.
Desse modo, o brinquedo era uma verdadeira obra artesanal, enquanto naífe.
A vulgaridade da faina agrícola da época, com os carros movidos por juntas de bois, serviam de preciosos modelos, para fazer funcionar a imaginação de um pequeno construtor de brinquedos.
No que servia de cabeçalho do carrinho, podia construir-se outro furo na ponta final, para se introduzir um elemento móvel ali chamado chavelha.
A mesma em que se amarraria a canga que jungia os bois, no caso imitada por dois bocados, sempre de caniço, sendo o sítio das patas feito apenas com um corte diagonal. Para imitar os chifres, dois furos nas pontas, onde se introduziam já aguçados, pedaços do mesmo material.
Com tudo pronto ainda se podiam, por meio de furos introduzir fueiros móveis, para tornar a imitação o brinquedo mais credível.
Depois entrei em nova fase e dos caniços, separava pedaços para fazer outros brinquedos, como assobios, pífaros, moinhos de vento, etc.
Com rachas, em pedaços com cerca de meio metro, eram feitas uma espécie de castanholas. Com batimentos secos, feitos com a parte anterior da mão, davam uma música, mesmo de caniço rachado.
Por fim já adolescente, sendo o meu pai pequeno lavrador, cultivando os seus pedaços de terra, levava tudo à moda dos ancestrais, ignorando alguma modernização, que seria conveniente introduzir.
Chegado o Outono o pai fazia também a sua água-pé.
Era um caso sério para a abrir. A todos os argumentos, respondia que ainda não estava bem "cozida" (fervida), porque era uma bebida mais forte do que outras já provadas.
A partir disso era letra morta qualquer argumentação. Inventei então um pequeno truque:
- Mais uma vez, um pedaço de caniço, com as zonas nodosas interiores obliteradas, por meio de um arame, formando como que uma palhinha com mais caudal que, metida na parte de cima do barril e chupada, sugava-se um verdadeiro "champanhe saloio", quiçá o melhor do mundo.
Foi a maneira de se poder fazer a prova, o pai nunca se apercebeu da descoberta do verdadeiro ovo de Colombo.
Isto sendo folclore local, também teria a ver com o facto daquela planta poácia, igual à cana, mas mais fina, existir em abundância naquela região à beira mar, onde se pode notar sempre uma brisa marinha, que obriga as terras de vinha, por exemplo, serem abrigadas por sebes de caniço seco, afim de ser protegida a produção de uvas.
Tudo isto se passou numa fase de meninice, talvez precoce, na aldeia da Bufarda, no concelho de Peniche.
Asseguro que as minhas brincadeiras tinham sempre algo em comum com a realidade, que vivida então, com a maior seriedade deste mundo, como se não estivesse a viajar no tempo do faz de conta.


Daniel Costa

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Mundo e Vida

1967 - numa passagem pela courela do arneiro em lua-de-mel

HORTA NO ARNEIRO

Apesar do meu desenraizamento, porque Lisboa teve sempre lugar de destaque nos meus anseios e velhos sonhos a Bufarda, aldeia do Oeste, onde nasci e me criei não pode ser esquecida.
Tanto assim é, que a tenho referido em vários artigos do "JORNAL DA AMADORA", sendo-lhe um dedicado, especialmente.
As vezes que por lá passo são inferiores às recordações guardadas e que, aos poucos espero publicitar, mais como aventuras, já que procuro acompanhar os tempos modernos, com eles delicio-me.
Por volta dos dezoito anos, olhando a courela do Arneiro com bastante água, de restolho no Verão. Ao invés de produzir continuamente, explorando-de a riqueza da água, parece ter entrado no desinteresse do pai.
Assim propus, primeiro ao meu irmão criar ali, de novo a horta a dar que falar.
Este disse:
- Vê lá em que te metes!..
- O pai não vai gostar!...
- Como resposta obteve:
- Ele não vai saber!
De seguida falei do projecto à mãe, que sem delongas se entusiasmou.
Resultou um convénio:
- Produtos da horta, o que fosse necessário para a família.
- Verba realizar:
- Metade para a casa a outra parte dividida entre mim e o meu irmão. A horta perante o pai seria clandestina e seria trabalhada nas horas vagas, que tinha de incluir os próprios dias de Domingo.
- Naquele Verão, conseguira trabalho sazonal no arranjo da estrada, Lourinhã – Ribamar, o que facilitava, visto o trabalho ser de oito horas, em lugar do sol a sol.
Sobrava tempo útil para tratar da horta!
Tudo estava a dar certo, parece que tudo era bem orientado, até que num certo Domingo, numa das tabernas locais, que na altura vendiam de tudo e os homens se encontravam, para confraternizar, beber uns copos e tratar de assuntos, o pai foi abordado por alguém com a conversa seguinte:
- Zéi a tua horta do Arneiro está a ficar um espanto.
Espantado e admirado ficou o Zéi mas, pelo sim pelo não, depressa foi agarrar a habitual enxada e de imediato deu uma saltada à fazenda.
De facto, estava já a apreciar um belo panorama hortícola, numa propriedade sua sem se ter apercebido.
Entusiasmado com o que viu, entrou de colaborar sem recriminações. A partir daí, era o primeiro colaborador:
No Domingo seguinte pressuroso, foi fazer a habitual rega.
Eu a ver gostosamente e a descartar-me dessa obrigação.
Só à ceia (ao tempo era assim designado o jantar), o pai ufano disse:
Uma horta daquelas, se não fosse eu, ao Domingo ninguém se lembrava de a regar. Era uma recriminação amigável, mas o gozo que isso dava, tinha de ser refreado.
A horta, pode dizer-se como agora, era biológica:
- O terreno foi enriquecido com estrume, que levávamos do quintal, aos ombros em cestos de verga. O próprio terreno estava um mimo.
Eram partes de terreno vazias e logo cobertas com nova produção. Havia de tudo o que se gastava ou transaccionava.
Até que, fui cumprir o Serviço Militar e pensava ter construído, com a horta um prazer enquanto eficaz meio de rendimento.
Qual quê???
- Faltou o animador e apesar de terem ficado dois seguidores, apenas foi gerido o que estava em processo de imediato desenvolvimento.
De resto adeus horta!
Confesso a minha total desilusão, acentuando mais o meu desejo de recomeçar vida nova a trabalhar em Lisboa.
A partir daí, deixar rapidamente a Bufarda foi o cumprir do sonho enquanto antídoto.

Daniel Costa