sábado, 24 de outubro de 2009

Mundo e Vida


                                   Foto Internet: Concorde descolando

LOUCURAS DO SUPERSÓNICO CONCORDE



Numa local do "Correio da Manhã" de (30/09/2007), TAMPO DE SANITA INCLUÍDO - CONCORDE LEILOADO, inserido numa rubrica designada "Mundo Louco", dava-nos conta de um leilão de peças sobressalentes dos defuntos aviões supersónicos Concorde a decorrer em Toulose.
Tratou-se da venda de instrumentos do cockpit, como máscaras de oxigénio e até o tampo de uma sanita.
Não vislumbro se terá sido a única viagem do tipo, mas o velho Concorde nascido de um projecto bi nacional, entre a França e a Grã-Bretanha, deu uma volta ao mundo com partida do aeroporto de Lisboa, em 12/10/92. Tratou-se duma tentativa de record de velocidade.
De qualquer modo um amigo meu, falecido já no presente século, por natureza um cultor das viagens turísticas intercontinentais, alimentava o grande sonho de viajar no Concorde, se bem que as viagens se destinavam mais a executivos. Sendo demasiado onerosas, faziam da rapidez uma real valorização.

O amigo um dia lá se decidiu pelo sonho que acalentara, foi até Paris com a filha como acompanhante, curiosamente especializada como Guia Turística e conhecia o mundo.
Daquela vez guiou apenas o pai.
Em Lisboa embarcaram num outro avião. De Paris rumaram no Corcorde até aos Estados Unidos, que ambos conheciam.
Voltaram a Lisboa num fim de uma semana, utilizando no regresso os mesmos meios de transporte.
A viagem custou sensivelmente mil contos (200 €), para duas pessoas, o que hoje pode não parecer significativo, para muitos na a época era quantia bastante elevada.
Na troca de impressões sobre a aventura conseguida, tudo bem, mas o meu amigo apresentou um senão.
- O habitat do aparelho era pouco confortável, estava apenas concebido para a rapidez.
Realmente as viagens turísticas noutro tipo de avião eram mais interessantes.
O Supersónico Concorde viria a revelar-se um fracasso e as suas rotas acabaram por terminar visto que, a rentabilidade pretendida não terá passado de miragem.


Daniel Costa





sábado, 17 de outubro de 2009

mundo e vida


O SANTUÁRIO - Conto da Ginjinha



Nos alvores da mocidade designou-me a boa fada para um lugar de "barman" numa daquelas casas que já vão caindo em desuso, mas que foram pontos de encontro obrigatórios para boémios desta benquista Lisboa. Algumas ainda existem com o nome de Ginjinhas.
O ara do mister situava-se junto do celebérrimo Parque Mayer, outro lugar que as musa jamais deixarão de proteger, pelo que esse cantinho de Lisboa tem sido fonte de inspiração a boémios, poetas, pintores, prosadores e que seu eu?... Talvez mesmo a escroques, numa miscelânea do sagrado com o profano.
Acumulando com o afã dos estudos, orgulhosamente servia as ginjinhas, popularizadas em vozes de oiro, como a de Amália ou Hermínia por exemplo.
Servia-as a pessoas famosas e não famosas. Ministros, vendedores de jornais, estudantes, pintores, escritores, artistas, turistas, criminosos e criminologistas. Considerava vantajosa experiência de viver rodeado de gente de todas as classes sociais. Experimentava pelo facto um orgulho extraordinário.
O desempenho diário da minha missão, naquele lugar que considerava maravilhoso e jamais deixarei de evocar, cessava com o badalar das duas da matina, hora em que por esse país cantam milhões de galos, anunciando o despertar do primeiro sono.
Num desses belos dias, mesmo á hora de encerrar, em que já por habituação o corpo exigia o merecido repouso, entra um estranho cliente.
Personagem de aspecto solitário, olhos pequenos, nariz achatado, olhar trocista.
A sua idade seria cinquenta anos, cinquenta anos calmos e dominadores.
Fazia lembrar qual judeu errante procurando avoengos que tivessem gozado o privilégio de terem tido por berço a sonhadora Lisboa.
Com naturalidade, fui solicitando bebidas que ia ingerindo com calma de grande filósofo.
Ia correndo o tempo, a hora de encerrar a "tasca" fora ultrapassada.
Os transeuntes, na sua maioria artistas, que iam saindo libertos das suas obrigatórias actuações nas salas do Parque, entravam felizes pelo ensejo de ainda poderem tomar a ginjinha e iam ficando, atraídos pelo personagem.
Mantendo a mesma serenidade, o mago já desbobinava o seu "show" de dialectos, que iam desde o português abrasileirado, até à língua dos czares, passando pelo espanhol aportuguesado, italiano, Inglês, francês e alemão.
A madrugada já se aproximava veloz e principiara ele a demonstrar outra face:
- A leitura nas linhas da palma da mão, de cada circunstante. Sempre a mágica serenidade de que só são possuídos querubins ou serafins.
A mistura de serenidade e palavras magicamente arrazoadas pareciam já capazes de arrastar uma multidão para o mais inóspito deserto...
Havia já sido formado um grupo, assim em jeito familiar. Cada um desatara a carpir os seus desaires. O álcool da ginjinha fazia surtir efeitos.
A vasta Avenida era completamente deserta. Na caixa registadora o metal soava, vindo dos magnos bolsos de tão espontânea clientela.
Dos milhares de escudos que se encontravam naquela, eu era eu o único responsável.
Não obstante a minha juventude, a escola que a vida me tinha ministrado aconselhou-me a suspender a sessão, com ordens sucessivas cheias de autoridade.
Embora com imprecações, os circunstantes aos poucos foram abandonado o "santuário".
Com a felicidade estampada no rosto, por sentir cumprido o dever de bom empregado, cerrei a porta do estabelecimento a sete chaves e altivamente, fui Avenida abaixo assobiando uma ária a ecoar na sonhadora solidão da cidade, que ainda se quedava adormecida.
Não me deixavam, porém, a mente os presságios que me assaltavam o espírito.
No dia seguinte, entre duas ginjas, alguns consulentes da enigmática, enquanto simpática figura, comentavam como haviam sido traídos na sua boa fé.
Quantias razoáveis haviam sido a paga que o desconhecido levara em troca de boas e rendosa promessas.
Sem deixar rasto, o farsante havia desaparecido, como que por artes de magia.


Miguel Foz (pseudónimo de Daniel Costa) - in extinto "Jornal do Oeste" - 04/11/1972.


EIS UMA DAS REALIDADES DA MINHA VIDA REPLETA DE AVENTURAS!

Daniel Costa

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Mundo e Vida

NA ONDA DO OPTIMISMO
DEDICAÇÃO À AMIGA RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO


COM UM DESMESURADO OPTIMISMO, NÃO SEI SE FIZ, SE A VIDA DE MIM FEZ!...

Daniel Costa

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Mundo e Vida


PROFETAS DO NOSSO TEMPO

(Crónica de 1972)


Desço ao acaso a principal Avenida da grande metrópole. Vou encontrando jovens trajando vestes que primam por uma extravagância desordenada. O curioso porém, é que não consigo vislumbrar grande originalidade nos seus hábitos.
Não!... Não são originais aqueles guedelhudos, de vestes coçadas, nem sempre limpas mas berrantes. Já a Bíblia nos descrevia os celebrados profetas, de uma maneira que os podemos imaginar tal como se apresentam estes jovens de cabelos compridos com que me vou cruzando.
Porém, uma nova corrente de pensamento me parece transparecer através daquelas figuras. Por certo irão ficar exautas de clamar contra as paixões e sede de progresso que ameaçam a destruição do nosso género, sem que seja ouvido o seu protesto.
Acompanho os grandes acontecimentos que o avanço da humanidade vai forjando, pelo que me parece estranho o arrojo daqueles humanos que procuram viver concepções à margem do progresso. Dir-se-ia serem indivíduos oriundos de paragens, onde apesar de tudo, não chegou o cheiro da nossa brilhante civilização.
São gente sem complexos estes "profetas"!... Tal como qualquer precursor. Eles enfrentam com sobranceria os olhares do transeunte que é incapaz de ser discreto, mas sempre desdenhoso.
Relaciono estas extravagâncias com o aparecimento dos novos agrupamentos musicais, famosos em todo o Planeta, pela apresentação pouco convencional das suas figuras e a agudez dos seus sons instrumentais, e que já desencandiaram no Universo um movimento a que chamam de "mensagem" - uma nova maneira de protestar, produzindo música.
Talvez pela sua extravagância, esses grupos arrastam multidões até onde que se apresentem. Já só os campos podem comportar tamanhas hordas que atingem o delírio nos aplausos que tributam aos magos dessa música e sons infernais.
Meditando bem, talvez se possa concluir que haja tendência para o aparecimento duma nova religião. Resolvo interpelar um destes personagens que encontro, o que mais extravagante me parece.
Verifico no homem um olhar simpático, mas um sorriso velado. Não fala o meu idioma, mesmo assim consigo fazer-me entender para lhe ofertar uma bebida, um gesto bem acolhido.
O meu interlocutor afirma ter aderido a um "movimento" denominado "hippie", oriundo de S. Francisco, a grande urbe americana, famosa pela rapidez do seu progresso. Esse progresso, que é preciso travar, afirma, pela desumanidade de que se reveste, criando toda a sorte, de engenhos e formas de destruição de tudo o que se possa chamar vida.
Menciona até um casal jovem, que entusiasmado com esta nova maneira de encarar o nosso mundo, desfez-se da sua enorme fortuna. Distribuia-a a quem solicitara o seu quinhão. Mais do que pobres, também ricos arrecadaram. Ficara a lição!
- Só Jesus Cristo ou o Santo de Assis, teriam sido capazes de tamanha heroicidade.
Ia começar a ter simpatia por estes ideais jovens, que afinal se debatem por uma causa que já preocupa toda a humanidade, Essa humanidade que, embora apercebendo-se do facto, continua forjando a sua destrição, sem que utilize um qualquer processo que adregue retroceder nesse deslizar veloz para o abismo
Mas eis que já essoutro átomo do progresso, a informação, encontrou outros vocábulos para dissecar - tráfico e consumo de droga.
Começara a simpatizar com esses jovens, dizia, se os seus cabelos compridos, trages pouco convencionais e rostos exibindo sorrisos velados não fossem, na maioria dos casos, a máscara da entrada nesse mundo de alucinações, que é o das drogas.


Miguel Foz - pseudónimo de Daniel Costa - in extinto "Jornal do Oeste" de Rio Maior.

Daniel Costa

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Mundo e Vida


SÓZINHITO DE BENFICA
E PARODIANTES DE LISBOA

Pode parecer estranha a mistura dum célebre restaurante com a da equipa que, os irmãos Andrade comandaram com sucesso, conhecida como "Parodiantes de Lisboa", evocarei o porquê.
Por agora começo pela então coqueluche, da freguesia de Benfica.
Aconteceu assim: a empresa onde trabalhava mudou-se para a zona.
Como conhecia os restaurantes e sendo razoável "gourmet", aconselhava outros colegas, um dos quais o Zé, que era vizinho.
Um dia chegada a hora do almoço, tudo reunido para o atacar, peremptório disse: hoje vamos ao "Sózinhito", fazem um bacalhau na brasa!...
Todos o seguiram.
De facto o bacalhau estava divinal, mas já o restaurante tinha perdido o esplendor e estava para cerrar portas.
A celebérrima "Casa" constituía o último edifício da mesma, onde funcionava outra grande referência, a Fábrica Simões, na mesma avenida ao princípio, à esquerda de quem entra pela Estrada de Benfica, ficando tudo do mesmo lado.
Recorde-se a vivenda da família Simões, com o busto do empresário em bronze, no jardim à vista imediatamente em frente.
Mais acima, na mesma Avenida funcionava o grande edifício do Sport Lisboa e Benfica, com o único Salão de Cinema da zona assim como o seu campo de Hokey em Patins, do mesmo lado logo a seguir.
Tudo não passa de evocação do "Sózinhito" o edifício térreo deu lugar a um colosso a servir de Centro Comercial.
Da fábrica ainda existe o aglomerado à espera do camartelo, a vivenda também deu lugar a um prédio alto, para habitação.
No edifício e outras estruturas que foram do Sport Lisboa e Benfica, deram lugar à sede da Junta de Freguesia de Benfica e todos os seus serviços.
O Pavilhão de Hóquei continua, agora denominado pelo nome do virtuoso António Livramento.
Os Parodiantes de Lisboa baseavam a sua actuação na compra de espaços radiofónicos, onde difundiam os programas que editavam, alguns com publicidade à mistura, outros com tempos próprios, sempre humorísticos.
Uns spots fizeram época e andavam na boca de toda a gente, outros nem tanto.
É de crer que se devia a essa equipa a divulgação do restaurante, cujo nome era mencionado diariamente, De qualquer modo aquela casa terá sido o último da parte saloia de Lisboa a ter fama, por se situar em aprazíveis espaços largos, na passagem para Sintra, ou para deleite de muitos lisboetas nos domingos.
Tempos idos!...
Voltando aos Parodiantes, muitos se lembrarão de frases publicitárias, como exemplo aquela que dizia assim: "pois, pois J. Pimenta"!...
Referia-se à então nova grande zona residencial, empreendimento que aquela firma estava a levar a efeito de raiz, junto da Amadora, que desde logo se denominou Reboleira onde ficou situado o Estádio do Estrela da Amadora:
Do próprio matraquear "almoce ou jante no Sózinhito": de "vá à Cabana dos Parodiantes e traga Barretes".
A casa ainda existe na vila de Salvaterra de Magos, a sul do rio Tejo, na Província do Ribatejo, porém os "Barretes", eram mesmo um barrete!...

Daniel Costa

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Mundo e Vida

Esposa(esquerda) e duas amigas, no recinto

FÁTIMA – ALTAR DO MUNDO

Um friso da enorme pintura em frente do altar-mor da nova Catedral

A notícia agora dada oficialmente, pela entidade eclesiástica que superintende nos assuntos de Fátima, de que o Papa Bento XVI visitará Fátima em 2010, foi o mesmo que anunciar que a comunidade católica irá ter, momentaneamente, ali a capital da cristandade.
Ter-se-á de admitir que a localidade, que antes foi um campo de mato, designado por Valinhos é hoje como que uma cidade, que alberga o Altar do Mundo Católico, Fátima.
Dali têm sido difundidas para o Mundo através da rádio, da televisão, etc. inúmeras horas de transmissão.

Moderna cruz, vendo-se um pouco da catedral, à direita

Fátima nasceu de um fenómeno, ocorrido em 1917. A partir daí deu origem a muitos artigos de jornal e bastantes livros.
O Policial que há muito extinta “Galeria Panorama” editou com o título “Livrai-nos dos Lobos”, por exemplo, teve como ambiente Fátima.
Do Santuário da Cova da Iria, continuam sempre a irradiar noticias, especialmente a 13 de Maio, dia de aniversário do dia em que, como que envolta numa nuvem, coberta com um manto branco a Senhora apareceu, aos pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco.


Santuário e recinto, onde se fazem as grandes celebrações

Agora há mais o aliciante de haver sido ali construída a nova catedral do Santíssimo Sacramento, enorme e funcional de arquitectura moderníssima, no seu interior pode acolher muitos peregrinos, vindos de todo o mundo.
Com a vinda do Santo Padre, em todos os locais do mundo, milhões de pessoas vão estar em sintonia com os acontecimentos de Fátima.
Vou deixar algumas fotos que ali captei da Catedral e do exterior da mesma.

Daniel Costa
Texto e fotos