segunda-feira, 30 de junho de 2014

GABRIEL E O PAPAGAIO


 
 
 
GABRIEL E O PAPAGAIO

Estava-se no século passado, numa povoação de camponeses pobres, a viver de uma cultura de sobrevivência.

Ainda que alguns garotos fossem de famílias mais remediadas, devido ao seu meio natural, a sua evolução, estava dependente do próprio meio em que viviam.

Por isso se diz que ao meio ninguém consegue fugir.

Era Domingo, alguns rapazolas juntavam-se no largo, a aproveitar um pouco de vento, para lançar os seus papagaios, todos fabricados por eles, de caniço e papel e com mais ou menos a habilidade, conforme a que possuía cada qual.

Alguns miúdos andavam descalços como sempre.

Cada brinquedo, o pião, o berlinde, o jogo do batos, o jogo da semana, o do avião e outros tinham tempos, que ninguém definia. Os tempos tinham a ver com a repentina lembrança de alguém, da sua predisposição, em suma.

Agora estava em voga o arranjar e lançar papagaios.

O Gabriel era um menino de cidade, cujos pais tinham na aldeia a sua casa de férias.

Sempre se integrava nos naturais, para o que contribuía muito a adulação recebida de todos

Nesse Domingo, havia chegado, não demorou muito a que se unisse ao grupo. Logo desatou a desembrulhar o seu papagaio.

Todos ficaram com o olhar fixo na beleza extraordinária do papagaio, nas suas variegadas cores.

Com o objecto rasgando o céu, com um fio bem comprido e as suas cores brilhantes, deixou todos fascinados, rendidos mesmo.

A certa altura, foi a vez de o Gabriel ficar também ele fascinado, quando sentiu uma plateia de admiradores, da sua geringonça.

E disse, não sem emoção:

- Pá!...

Toda a gente se admira com o meu papagaio, não admira pá?

Em virtude de ser Domingo, até os mais velhos, desta vez, ali paravam para observar os balões evoluírem.

Alguns pais, até podiam e desejaram muito, premiarem os seus filhos com tão requintado papagaio. Mas os tempos eram mesmo de penúria e nem à venda os havia no lugar e no tempo.

Os comerciantes, de localidades apenas agrícolas, nem sequer se atreviam a ter à venda o considerado supérfluo. Era certo e sabido que a venda seria votada ao fracasso, por falta de dinheiro das famílias.

Porém, entretanto, com a junção do balão do Gabriel, o entusiasmo recrudesceu e naquele Domingo, foi como se tivesse havido festa na aldeia.

Até o pai do Gabriel se entusiasmara e foi conviver com outros pais.

Tudo recolheu a casa. Originara-se uma tarde de, de extrema felicidade, onde as actividades sociais dos garotos, motivados por Gabriel, com a aderência aos companheiros de ocasião.

Todos ali em conjunto viveram uma tarde de felicidade.

Ficou o exemplo, edificante, de como viver em sociedade, sem ideias preconceituosas.

Exemplo a seguir pela vida fora!

 

Daniel Costa

Nota: minha participação na Colectânia VÁRIOS AUTORES
 

 

 

2 comentários:

✿ chica disse...

Que linda história., exemplo e mensagem ao final! abração,chica e linda semana!

M D Roque disse...

Adorei ler o seu texto.
Abraço. BFS. D

http://acontarvindodoceu.blogspot.pt