domingo, 15 de março de 2015

CRUZAMENTO COM O CRIME

CRUZ DA LÉGUA
Santuário da Senhora dos Remédios
 
CRUZ DA LÉGUA

A cerca de mil metros do Casal Foz, seguindo sempre na mesma estrada para Peniche, encontramos o Alto Veríssimo. Em caminhos contíguos, de terra batida, virados ao mar, encontra-se um cruzamento, a que deram o nome de Cruz da Légua, tal como é dado a toda a zona cerealífera.
Conta a tradição que ali é meio caminho entro os Remédios, junto ao Cabo Carvoeiro, Peniche e Carvalhal, Bombarral. Na prática não é efectivamente, mas lendas são lendas.
Ali se encontraram dois peregrinos, não teriam destinos traçados, uma a mulher andou até aos Remédios e o que sei agora é que ali está santificada num altar, incrustado num banco de pedra com o nome de Senhora do Remédios. Ainda e sempre a tradição comunica-nos que a imagem terá crescido e com ela o próprio altar.
O outro peregrino era homem, a certo ponto, encontrou um outro homem a quem  pediu ajuda na sua caminhada. Esse homem acedeu transportando-o. Tendo perguntado onde queria ficar, obteve como resposta: “onde me tornar pesado, aí me deixarás”.
A imagem está numa igreja, junto ao palácio da quinta dos Loridos, Carvalhal, Bombarral, com a designação, Senhor Bom Jesus do Carvalhal.
Ambos os sítios, tornaram-se santuários de grande fama na região.
Por ocasião das festas populares de Verão, várias localidades, por devoção tradicional, iam aos locais com belíssimas delegações, com banda de música, organizar festas religiosas e profanas em, espaços próprios dos respectivos santuários, cujas imediações estão providas de camaratas para albergar os peregrinos.
Senhora dos Remedos, a cerca de dez quilómetros do Casal Foz, tem junto da igreja um grande terreiro, onde em tempos, cada Domingo de festa, havia delegações a organizar.
Um, três, sete e onze círios, etc. Era assim que se designavam as delegações. A maior parte levava banda de música, em carroças ou carros de bois engalanados.
À noite vinham rapazes jovens, de longe a pé a participar na festa tornada assim de arromba.
Senhor Bom Jesus do Carvalhal, a cerca de trinta quilómetros da aldeia da Bufarda de que continua a fazer parte o Casal Foz, para efeitos administrativos, festas mais modestas mas em certos Domingos, iam lá os círios fazer as suas.
O terreiro contíguo ao templo é menor, mas um parque de merendas com vegetação de arvoredo muito acolhedora e aprazível, faz parte do equipamento próprio.
Faço notar, o círio do lugar de Bolhos, mesma freguesia da Bufarda, passava e dava sempre a volta por esta localidade, trazendo uma criança vestida de anjo, numa das carroças engalanadas.
As portas da igreja local abriam-se de par em par, o que servia para o anjo, com um bonito lenço bater no peito, ia declamando uma canção religiosa, e a acenar para o interior, acentuando assim a passagem do círio no seu jeito de entidade peregrina.

Daniel Costa



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