quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O PODER DO VÍCIO


 
O PODER DO VICIO
Há vidas em que a realidade ultrapassa a ficção, o que creio acontecer comigo. Daí muitas vezes escrever na primeira pessoa ao sentir a sensação que minha vida vivida, se cifra em duzentos e vinte cinco anos, qual um novo Matusalém.
O PODER DO VICÍO
 
Se virmos bem o vicio embora, qual demónio, em luta para corromper os humanos, nada poderá contra uma indómita vontade de alguns destes.
Aconteceu comigo, em várias ocasiões, em que soube sair vencedor desse anjo maléfico, a que se dá o nome de VÍCIO.
Em 1963, criei uma Revista de Filatelia, a FRANQUIA – Revista Filatélica Portuguesa. Começa aqui a curiosidade, inscrevi-a no Secretariado Nacional de Informação, assim como o meu nome, como director.
Apresentei a minha identificação (BI) válida, como trabalhador, a que a Estado Novo atribuía a trabalhadores indiferenciados, de fato o BI, à época, constava de duas páginas, e nele era mencionada a respectiva profissão, era eu cavador, quando se cavava e terra. Porém na altura já pertencia ao Sindicato de Revisores de Imprensa.
Portanto em menos de dez anos subi na sociedade, de forma espectacular, sem precisar de pedir, fosse o que fosse a alguém, porque acreditava em mim.
Tinha “explorado” cerca de duzentos patrões e concluído que nenhum me valia. Decidi, por isso, criar o meu meio de subsistência, na área da informação. O que em nada tinha a ver, eu já saber que informação é poder.
A FRANQUIA existiu até 2001.
A revista, com algumas ajudas, mormente de familiares, era como um filho, logicamente foi como um viciante, já que a ela e aos leitores, a quem designava por amigos assinantes, dedicava, mais de dez horas dia, incluindo fins-de-semana.
De lógica em lógica, no ano de dois mil, fui atacado com um AVC – Acidente Vascular Cerebral, com entrada em estado de coma imediato, cerca das nove horas da manhã de 26/07/2000, com 3 horas de trabalho e em jejum total.
Levado para o Hospital de Santa Maria, detectado um coágulo no cerebelo, por minha sorte, foi-me logo aplicada a intervenção cirúrgica. Dai, resultou ter permanecido no coma profundo 30 dias.
Findos os quais passei a estar em semi coma em cuidados intensivos.
Foi nesse estado, que entre vários de que me recordo, aconteceu que, em sonho vi o fac-simile da capa de exemplar de uma FRANQUIA, atravessado na cama, onde estava amarrado, devido a várias tentativas de fugir, sempre com o espírito a pairar na revista.
Ela estava no meu espirito como um vício, ela me fizera cair, ela me tentava salvar.
Ao fim de 15 dias, a minha esposa e a filha foram confrontadas com a minha alta hospitalar, ainda em semi coma. Junto com uma lista de lares para pessoas em cuidados intensivos, em estado terminal e com um relatório médico, cujo último parágrafo reza assim:
 
“Mantêm-se internado na unidade de Cuidados intensivos dependente do pessoal de enfermagem . Não sendo, por enquanto, possível estabelecer um prognóstico adequado. No entanto, parece-me pouco provável que doente retome a sua vida normal”.
Dr.ª. Rosa Pereirinha
Contra as indicações hospitalares, talvez por ousadia, fui trazido para casa, onde estive ainda cerca de dois meses, em semi coma, onde em momentos de lucidez, me vinha à memória a revista e o incontornável desejo de voltar a editá-la.
Escrevia, como Freelancer para a CRÓNICA filatélica, da AFINSA, de Madrid, sobre filatelia de Portugal, a cerca de três meses de ter tido alta do hospital, o Director, telefonou, zangado a perguntar o porque, havia três meses não dava notícias.
Ainda muito inconsciente, pensando na ajuda da filha e no que já fizera antes, respondi ia mandar o trabalho no dia seguinte.
Em resposta, este disse:
- “Amanhã não, hoje e em correio azul”.
Claro, não tive um mínimo de dificuldade em responder afirmativamente e o material seguiu no dia. Como passou a seguir por seis anos, até à falência da AFINSA.
Em Janeiro de 2001, relancei a minha revista e o único dia de tristeza, durante os 15 anos seguintes, foi após dizer em casa: não estou em condições mentais de continuar com a revista.
Era factual, os “trocos” passarem a bater cruzados no cérebro, no fim de estar algum tempo, por exemplo, a paginar a revista.
Depois de 6 anos a dormir 18 horas/dia, vi que já poderia “manipular” a Internet, desfiz-me do computador, sem a mesma, adquiri novo, já apetrechado e o “vício” da escrita veio ao cimo, estava-mos em 2007.
Encontrei-me então num mundo novo. Reconstitui a FRANQUIA, em Blog do mesmo título e recomecei a escrever para o “JORNAL DA AMADORA”, colaboração que já tivera, antes do AVC.
Depois e entretanto escrevi, lancei e eu próprio distribuí ou vendi 9 livros. O meu décimo será lançado em Outubro de 2015, tendo mais dois escritos.
Depois disto tudo, poderei concluir: se tenho vício, o seu nome é TRABALHO.
Para dizer no fim: ABENÇOADO VICIO, que me levou às portas do céu, onde foi buscar o “MILAGRE DA CURA TOTAL”.
 
Daniel Costa
 
 
 
 
 
 
 

2 comentários:

✿ chica disse...

Que bom que tudo terminou tão bem,Daniel! Valeu! graças sempre,não/ abração,chica

São disse...

Trabalhar não é um vício, é uma maravilha !

Abraços