terça-feira, 8 de setembro de 2015

O QUE É UMA GALENA

                                     
Um modelo de galena

O QUE É UMA GALENA?
 
Muitos não saberão o que foi um aparelho radiofónico, que julgo ter sido pouco utilizado, o qual tomou o nome de GALENA.
Pensando no assunto e porque me coube o privilégio de usar um desses recetores, proporcionando-me um período de rara felicidade, nos meus tempos de juventude.
Tentarei descrever o aparelho:
- Verificando vários dicionários e enciclopédias, não encontrei este nome, senão mencionando um metal, como sendo um dos mais vulgares dos minerais de chumbo. Por outro lado, fazendo uma recolha, pude verificar serem os cristais de galena usados como detetores na T.S.F. Depois destas breves pesquisas, concluí que a denominação de GALENA para o citado aparelho emissor de ondas de rádio, vem do metal galena, visto ser um pedaço desse, o principal elemento funcional da citada peça radiofónica.
Nos tempos em que utilizei o tal aparelho, porque foi na década de cinquenta, só a Emissora Nacional possuía capacidade de difusão, para se fazer ouvir com tão rudimentares recursos, que dispensava energia elétrica.
Lembro contudo de ter conhecimento da Rádio Graça, a difundir da Rua da Verónica e dos Emissores Associados de Lisboa.
Haveria outros, ainda não existia TV em Portugal e a rádio sendo já uma "senhora", era uma coisa de real sedução.
Por isso a GALENA era uma verdadeira atração, até pelo gozo que proporcionava, uma vez que era um autêntico "faça você mesmo". ainda muito miúdo lidava bem com a atraente geringonça!
Primeiro estendia um longo fio desde o cocuruto de uma árvore até uma janela, que havia no sótão.
Antes da entrada, três elementos de louça ligados com a ponta do fio, evitavam qualquer contacto entre a parede e o mesmo, daí derivava a ligação para o interior. Depois uma extensão segura a uma pedra enterrada no chão, fazendo a necessária "terra" a completar o exterior.
Chegado o Verão, tornava-se necessário regar o chão, afim de ser criada a humidade necessária ao contato com as ondas de rádio.
Aquilo era de uma simplicidade que, por falta de uma parte dos elementos, começou por funcionar apenas com fios, com ligações aérea e terráquea, a uma ficha cada, uma das quais ligada a um pedacinho de galena, a outra estabelecia o contacto com a Emissora, com a busca de qualquer saliência a dar essa possibilidade.
Um auscultador apenas, fazia chegar a emissão ao tímpano respetivo, que por sua vez só era audível com aquele elemento pegado mesmo ao ouvido.
Mais tarde chegou o resto do material, que se resumia a quatro tabuinhas, com as quais foi montada uma caixa própria encimada com um pequeno rolo de vidro, onde era introduzido o tal pedaço de galena e uma espécie de monitor, composto por um fio de forma encaracolada.
Ficava mais prática, rodando a peça, a forma de entrar no som do posto da Emissora Nacional.
A mesma estrutura ficava a constituir o rudimentar rádio, já tinha acopladas as respetivas ligações referidas anteriormente.
Evidentemente que hoje, por puro entretenimento, ainda se podia montar um destes sistemas tanto mais que já cheguei a ver apresentado um exemplar num célebre programa de televisão, que dava pelo nome de 1-2-3.
Claro que para montar o esquema, seria necessário espaço abundante, fora de zonas citadinas, porque nestas é reduzido.
No entanto com a vivência dos dias de hoje não se pode pôr algo do género em equação, basta ver que a rádio de há cinco décadas, nem funcionava todo o dia, não havia ainda satélites, para se ter no ar todas as transmissões efetuadas atualmente, por tudo e por nada, em todo o mundo moderno.

Daniel Costa

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