quinta-feira, 17 de maio de 2018

CONTO JORNALEIRO DESCALÇO



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JORNALEIRO DESCALÇO

Todos os humanos podem ostentar uma, a sua história de vida, esta pode ser mais ou menos romanceada, consoante a aptidão de quem a contar.
Pedro Onofre por achar que, a sua era bastante rica, pensou em a equacionar, num exercício mental singular.
O nosso homem exercia a profissão de jornaleiro (de jorna), em jornadas de sol a sol. E sabe-se que quem trabalha muito, não tem tempo de ganhar dinheiro, o que a ganhar a jorna, desde novo, passando por diversos escalões, até a meia jorna diária constituía isso.
Depois ao atingir 16 anos de idade, ainda continuava descalço, passou a ganhar a jorna completa.
Aos 17 anos, por muito aguerrido, já então calçado, na sua aldeia passou a pertencer a um pequeno grupo de homens – jornaleiros, a formar uma elite que, em tempos de aperto sazonal, podiam ser contratados a ganhar cerca de três vezes mais.
No entanto, os acasos não existem, nem existiam. E as safras, em que entrava, eram como que, desafios diários permanentes: nunca o patrão ficaria a perder, por estabelecer esses contratos.
Porém, Pedro Onofre, sempre pensou, que não nascera, para ser jornaleiro; achava-se capaz de fazer mais do que trabalhar no campo.
Assim, já tinha o seu “timing” que se baseava, na obrigatória incorporação militar.
Veio o tempo de ser mobilizado, para a Guerra das Colónias. Logo aí, sendo praça, sem especialização específica, nos últimos sete meses foi nomeado substituto do Sargento especializado em Vaguemestre, ou seja coordenador do rancho lugar que, lhe valeu um louvor militar.
Depois da comissão na guerra, o destino foi o trabalho de atendimento ao balcão, na “Gijinha Popular" em Lisboa. 
Depois uma empresa de zincogravuras, na freguesia das Mercês, Bairro Alto, ainda em Lisboa, onde foi coordenador de todo o movimento de trabalhos, onde viria a chefiar o escritório.
Depois coordenador editorial na Bertrand & Irmãos, no Dafundo, onde já com o 5º. Ano, incompleto, Pedro Onofre, aos 28 anos adquiriu o seu automóvel, zero quilómetros.
O mesmo que dizer em 11 anos, passou de pé descalço a detentor de automóvel próprio.
O feito não pode deixar de ser mencionado, tanto mais, que nunca foi usada a velha e relha “cunha”.

Daniel Costa


2 comentários:

Smareis disse...

Eu não sabia do acontecido Daniel. Sinto muito amigo. Ando um pouco ausente dos blogs e da net. Percebi que você estava meio ausente, achei que poderia estar viajando ou escrevendo mais um livro. Graças ao extraordinário avanço da tecnologia, o pacemaker ou marca-passo como dizem por aqui, antes era uma cirurgias que acarretavam riscos ao paciente, hoje a cirurgia é bem mais simples, rápidas e seguras, a recuperação não é demorada ou difícil, e a pessoa pode levar uma vida normal. Conheço algumas pessoas que usam já faz algum tempo e leva uma vida normal. Desejo que se restabeleça e volte a sua vida normal o mais rápido possível. Que o criador lhe abençoe hoje e sempre.

Achei muito bom o conto. Pedro Onofre de pé descalço a detentor de automóvel próprio. Conseguiu o que queria, e deixou de ser jornaleiro.

Feliz por você estar de volta!
Uma boa semana meu amigo e um beijo no coração.

Daniel Costa disse...

Será raro Smareis, mas aconteceu. Naturalmente não foi um acaso.
Engraçado, sem nunca ter que fazer algum pedido, tive onze empregos em 10 anos. Em cada emprego, o ordenado subia. Depois achei que nenhum chefe ou patrão valia a minha capacidade de trabalho e transformei-me em empresário, em nome individual. Criei a minha própria Revista FRANQUIA, (FILATELIA), chegou a fazer certo sucesso em S.P., segundo uma pasta de recortes de jornais de cidades S.P. A minha aposentadoria foi obtida e nasceu nessa Revista.
Beijos