quarta-feira, 10 de outubro de 2018

OS ÚLTIMOS TRENS


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OS ÚLTIMOS TRENS

Ocorria a década de quarenta, o ano não sei precisar porém, talvez tenha sido em 1946, que se deu o enlace matrimonial entre a Carminha, filha de Zé “Reboneta” e da ti Ana, ajuntadeira de ovos, para um regateiro, que depois os recolhia, e o Armado, filho da senhora Nazaré cujo marido, não conheci, porque procurara melhor vida na Argentina.
A senhora Nazaré, viveu e criou os filhos, Armando, Pinto e “Cireta” naquela casa velha, ainda existente, no lado esquerdo da casa que, foi a loja do Veríssimo, agora estabelecimento de café.
Porque recordo este, de certo modo, estrondoso casamento?
Porque ali na aldeia da Bufarda, foi o último em que, para o transporte dos convidados, foram utilizados trens, puxados a cavalos.
Hoje seria “chic”, mas até a essa data não o era.
O único veículo automóvel que ali vi, era uma furgonete, com arberg de madeira do, industrial de moagem, que mandara construir uma dessas fábricas, em Geraldes, mais tarde transformada na residência do Arnaldo, do Zé Nau.
Um desses trens, era do Miguel ferrador, da Atouguia da Baleia.
Logo a seguir, aquele ferrador, já tinha automóvel de Praça e assim, continuou, a operar no transporte dos casamentos, que passaram a ser feitos de automóvel.
O enlace ficou na memória, não só pelos trens:
- Foi também, nessa festa que os confeitos, normalmente, bem esféricos, eram enfeitados de saliências (picos).
Estes eram, mais, os padrinhos a lançar ao rapazio, que os apanhava do chão, como guloseima.
Ninguém morria, nem morreu de os saborear assim, depois apanhados do chão areento e pisado, então, por animais domésticos de toda a ordem e pássaros vários.

Daniel Costa

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