quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

OURIVES SEM EFABULAÇÃO


 
OURIVES SEM EFABULAÇÃO
 
Como se disse, o designado Foz I, além de Miguel Foz, teve uma filha e um filho. Do filho, não consegui investigar o nome, da filha sim. Trato-a, contudo, pela alcunha porque era conhecida: “bicha”, devido à sua horrível carantonha. Pode aplicar-se aqui o ditado popular: “Deus que a pintou, algum defeito lhe achou”.
Fui ela e naturalmente o marido que, numa espécie de barracão, criaram uma taberna, no Casal Foz, e quando era necessário, constituíam ali casa de pasto, também arranjavam dormida a quem precisasse.
Cabe dizer que era ali que desembocava também a estrada que vem da vila do Bombarral, passando por várias aldeias do concelho, a mais importante, Reguengo Grande, por ser muito vinhateira.
Passa ainda pelo histórico Vale do Roto, onde acamparam as tropas de Napoleão, que viriam a ser vencidas no recontro da vizinha Roliça.
Um cruzamento com todas as condições, para no tempo e no espaço, ser rentável ali uma taberna, como a que a “bicha” ficou a gerir.
O casal teve três filhos, dois homens e uma linda mulher. Os homens passaram ambos a ser conhecidos pelos respetivos nomes, mais a alcunha de “quarenta”.
Porém, o que agora interessa é focar o que de mais importante se terá passado, nessa primeira taberna do Casal Foz.
Cochichou-se, em segredo, à boca pequena:
- A determinada altura passou por ali um ourives, já no tempo que andavam a vender ouro, de aldeia em aldeia, montados nas suas bicicletas. Nas mesmas transportavam uma caixa de folha verde, com o ouro.
Certa noite, um fez ali estadia. Tudo corria bem, naquele bucolismo, a cerca de três quilómetros do mar. Então o homem adormeceu na paz dos anjos.
Foi então que o casal cometeu o suicídio na sua pessoa, com o fim de ficarem com o ouro.
De imediato, no seu burrito, terão transportado o corpo até ao mar.
Uma vez chegados, amarraram o dito a uma pedra e lançaram-no nas suas águas, dando-lhe assim sumiço.
Como o burrito não falou e ali ninguém teve capacidade de efabulação, foi como se não houvesse crime.
Ficou no esquecimento.

Daniel Costa

 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

NOVA CASA DE PASTO

 
NOVA CASA DE PASTO

Chegara-se à terceira geração Foz, que já foi abordada. Agora com origem no terceiro filho, de que desconheço pormenores. Sei, por dedução, que também terá falecido prematuramente.
Desse terceiro filho, também desconheço quem fora a esposa.
Porém, o casal gerou, quatro filhos, Maria, Mariana e António e outro que nunca cheguei a conhecer em pessoa, apenas o nome por que era designado, mesmo por familiares - Fozica.
No Casal Foz, apenas ficou a Maria, a segunda filha, casou na aldeia da Bufarda, a que o Casal continua a pertencer.
Maria casou com o bufardense Maximino e devido àquele entreposto ali, vieram a abrir nova casa de pasto, já mais sofisticada, taberna e hospedaria, quando necessário. Ficou a mulher a gerir o negócio, o marido a negociar, produtos hortícolas, que fazia transportar, sobretudo, para a cidade do Porto.
Este segundo estabelecimento, fora construído recuado da estrada, com diverso casario, formando um quadrado para se poderem arrumar carros. Num dos lados, alugado, ficara uma oficina de bicicletas, à época um negócio rentável.
Ficara um cenário interessante que motivava a paragem de bastantes clientes.
Um poço comunitário, a cerca de 500 metros, água a pequena profundidade, abastecia a pequena população que, com bilhas de barro, acarretava a água necessária para se abastecer. O que ainda acontecia na década de sessenta.
Quanto à electrificação chegou em 1956, com a de toda a aldeia da Bufarda.
Deste ramo familiar, digno de nota, é também o do caso Fozica que fora morar entre Peniche, então vila e o Cabo Carvoeiro, cultivava vinha, fazia viticultura, naquele terreno vulcânico, num microclima, onde produzia um vinho de estalar, sabiam muitos que o visitavam e tinham o privilégio de o degustar.
Como a venda era feita, sob a fórmula, graduação – almude, tornava-se rentável, embora a produção não fosse abundante.
 
Daniel Costa