sexta-feira, 28 de outubro de 2011

GRANDES ACORDEONISTAS

                                    

GRANDES ACORDEONISTAS

Quando falo de grandes acordeonistas, acorre-me à memória o grande virtuosista do acordeão, que adoptou o nome de Sivuca.
Civuca, era brasileiro. Ouvi-o na rádio e vi-o, na televisão a actuar, creio que agregado a um conjunto. Era já idoso e nunca mais ouvi o instrumento dedilhado pelos seus dedos de ouro.
Acordeonista de grande nível foi Eugénia Lima, também uns dedos de ouro, a dedilhar o seu acordeão.
Outro grande acordeonista foi o algarvio Filipe de Brito, que acabou por abandonar uma carreira artística de sucesso, para se dedicar à empresa que herdara do pai.
Foi ele o criador da amarguinha, aquele licor de amêndoa, que fez bastante sucesso, como digestivo.
Há também a curiosidade de ter editado um disco, para a efémera etiqueta Zip-Zip, que nasceu na sequência do famoso programa do mesmo nome.
Os últimos a aparecer, na televisão, terão sido o casal Fernando Ribeiro e Fernanda Ribeiro.
Depois, havia-os por todo o país, que aos Domingos abrilhantavam bailes por muitas aldeias.
Recordo o Chegadinho, dos meus sítios, que era considerado muito bom, no tempo e no sitio. Pelo que se fazia pagar bem, não sendo vulgar a sua contratação, pelo facto.
Acordeonistas, a actuar individualmente, terão caído em certo desuso, mas vários conjuntos musicais têm instrumentistas de acordeão.

EPISÓDIOS VIVIDOS RELACIONADOS

Da Inspecção Militar, na minha aldeia do Oeste, resultava sempre festa, juntavam-se os mancebos conterrâneos e em grupo, organizavam: em primeiro lugar, em Peniche, onde decorria a Inspecção, havia almoço conjunto.
Todos os rapazes, usando lenço ao pescoço, na lapela uma fita de seda, com os dizeres apurado ou livre, conforme os casos, percorria as ruas de aldeia, acompanhados do inevitável acordeonista a tocar, apregoando: VIVA A NOSSA INSPECÇÃO!...
Chegada o noite um baile com o mesmo acordeonista oferecido a todos os concidadãos.
No mesmo baile eram oferecidos cigarros, muitos cigarros e pagas cervejas.
No meu ano, foi contratado o tocador de concertina, MINAU, de S. Pedro da Cadeira, Torres Vedras, a coqueluche do acordeão da época, por cinco dias, tantos como houve de loucura e bailes. Gastei cerca de vinte maços de tabaco e fiz uma despesa, que me deixou de tanga.

Outra: estava na tropa em Faro, a aguardar embarque para Angola. Com alguns camaradas, fomos abordados por um idoso, parecia muito bacana, fomos nessa. Então deparou-se-nos um homem muito divertido, um gentleman, como os algarvios sabem ser.
No fim, disse: “vocês não me conhecem, mas se disser o nome do meu filho, Filipe de Brito, ficam inteirados!”
No Tari-Lifune em Angola, em determinada altura, o divertimento da mata, como dizia o meu amigo 922, era surripiar quicos (cobertura leve de cabeça).
Passou por lá uma Companhia de tropas, em deslocação, chegadas há pouco do “puto.” De combinação, o Custódio e o Maia, cada qual, a tocar a sua concertina, numa das casernas.
Esta, que parecia um arraial agradável, a quem estava desterrado no mato africano, atraiu toda a tropa. A breve trecho as luzes apagaram-se, seguiu-se silêncio.
Quando voltou a luz, tinham desaparecido tos os quicos, como que por magia.
Ah!... O Custódio Serôdio, dos arredores de Faro, chegou a ir tocar á Emissora de Luanda.

 

Daniel Costa

Abra o link e oiça o amigo da Guerra de Angola a dedilhar o seu acodeon

 



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ERA UMA VEZ UMA LARANJA

                           

ERA UMA VEZ UMA LARANJA

Com edição da FRONTEIRA DO CAOS, saiu o livro “ERA UMA VEZ UMA LARANJA” da autoria de Lili Laranjo e Francisca Laranjo. Avó e neta em coo - autoria num livro, que bem poderá ser dirigir-se ao escalão etário cerca dos dez anos.
No entanto, de uma leitura que pais e avós devem ler, porque podem ajudar a transmitir aos mais novos o gosto pela leitura.
Depois dá-se o caso que escritora, direi principal, sendo a nossa bem conhecida e dinâmica Lilli, já autora de vários livros, sobretudo de poesia, é também uma pedagoga de mérito.
Mas nada como ler este conto da autoria da Francisca Laranjo:

“A LIÇÃO

Era um vez uma menina chamada Joana a menina com apenas 10 anos já trabalhava e era ela que tratava das plantas, era ela quem arrumava a casa, ela a ferro ela fazia de tudo.
Joana tinha um irmão chamado Diogo, o rapaz era muito preguiçoso já tinha 15 anos mas a irmã fazia-lhe tudo.
Um dia de manhã, Joana já estava farta de fazer as vontadinhas todas ao irmão, mas não sabia como resolver a situação. Aos pais não podia fazer queixa pois estavam fora (há poucos anos tinha ido viver para a Argentina). Então pensou, pensou, pensou mas não lhe ocorreu nada.
Naquele dia o seu irmão foi buscar água ao poço para a Joana (pois tinha sido obrigado pelos avós a fazer isso) de repente tropeça e cai no poço. Meio adormecido acorda e vê que não está em casa chama por Joana mas ela não aparece.
Então ouve uma vozinha muito fina dizer:
- Anda vem para minha casa já soube o que andaste a fazer a tratar a tua irmã como uma empregada não é nada bonito.
Naquelas semanas que ficou naquela terra aprendeu que não é divertido ser empregado das pessoas (ele teve que ser empregado da velha). A velha passado umas semanas lá o deixou ir para casa. Nunca mais voltou a tratar da irmã daquala maneira. Agora são os melhores amigos.

Francisca Laranjo”

O livro conta de setenta e uma páginas, do formato (fechado) 15 X 22 cm.

Daniel Costa