sexta-feira, 23 de novembro de 2018

VIVER E RECORDAR - 01



 A imagem pode conter: 1 pessoa, a sorrir, sentado

VIVER E RECORDAR - 01

Reporto-me a 1950 frequentava eu a 4ª. do Ensino Primário.  A mesma aula era frequentada pelos meus primos José Augusto (já falecido) e o Herculano, todos da 4ª. Classe. Ao intervalo da tarde, combinámos, à saída rumarmos às peras, maravilhosas peras, que o avô João Ferreiro tinha em pereiras, na sua vinha no sítio do cadeirão, o que veio acontecer.
Tudo bem mas a determinada altura, começamos o ouvir uma tosse, como a do avô. Incrédulos, foi então que olhámos em redor e o que vimos?
- O companheiro José Noivo, vulgo José Berra, também da mesma classe, o que passava então?
- Fora este a imitar o avô, fazendo-nos apanhar um grande susto, já que o avô era de índole muito espartana e não deixaria de nos dar um grande correctivo.
Aconteceu que, o José Noivo, ouvira a combinação e ”judeu” que era, logo pensou em nos surpreender e depois ter o proveito de fazer parte do grupo, como aconteceu:
- Tinha passado o susto, rimos muito e abancámos a comer peras, em jeito de banquete.

Daniel Costa

domingo, 28 de outubro de 2012

ESCRIBA OCASIONAL


 Gabriel de Sousa
ESCRIBA OCASIONAL

ESCRIBA OCASIONAL é a designação do novo livro de Gabriel de Sousa.
O autor nele se revela um pensador nato, como se pode ler no livro: nas cidades e vilas que tenho visitado, há gente que faz Cultura no quotidiano, sem parangonas nos jornais, com o seu esforço e gastando por vezes do seu próprio dinheiro.
Esta é uma verdade que pode ser encontrada na leitura de ESCRIBA OCASIONAL. Verdade que partilho, até por eu próprio, no caso,  já ter sido actor,
Porém são focados vários factos, que é bom recordar. Conheço o autor há anos, como pessoa íntegra e ao mesmo tempo simples.
Verdadeiramente é, neste presente livro que pode ser extraído o seu pensamento mais íntimo. Confesso que ao ler ESCRIBA OCASIONAL, senti-me como se o estivesse a ouvir.
Para começar, aborda situações factuais que diariamente observa, do seu posto de observação onde, rotineiramente, toma o pequeno-almoço, acompanhando-o com a leitura diária do jornal.
Passo por outro facto, este criminal, que está em segredo de justiça. A pessoa que sofreu o golpe mortal foi meu amigo. O autor também o conhecia pessoalmente.
Aborda, sucintamente, para além da aviação, onde trabalhou com mérito, outros assuntos.
Alguns, marcaram época, como a Revolução Portuguesa de Abril, da 1974, com bastantes incidências a alimentar páginas e mais páginas de jornais, e bastantes edições especiais.
A mesma, viria a dar origem a vários novos títulos da imprensa e ao acabamento de outros.
Mais tarde, da total mudança de tipografia, veio a resultar na então, modernidade do ofset. em toda a imprensa.
Terminou com o fascismo, da sua polícia política, das prisões politicas, da censura prévia, etc.
 
 Por de dentro da vidraça, diariamente, o autor lê o jornal
 
Um caso que também, sobretudo nos anos cinquenta, porque muito divulgado nos jornais de todo o mundo, o do preso dos Estados Unidos, no corredor da morte Caryl Chessman, também está abordado.
As fraudes fiscais, que se sabe existirem em vários países, mas em Portugal, meus deuses, estão tão enraizadas com a imunidade, como que, a abençoá-las. A nossa justiça que devia ser célere, não o é.
Exige-se seja cega e célere, no mínimo, acabando com os furos da lei, que só parecem ter sido criados para dar tempo, a que momentosos casos a envolver avultadas verbas prescrevam.
Que dizer da abordagem: SER Poeta, citando um dos maiores poetas do mundo, sobretudo do mundo moderno, Fernando Pessoa, ou de Florbela Espanca, grande poeta que, na sua autenticidade feminina, estaria bastante avançada para a época?
Que se pode recolher uma óptima definição, da condição de SER POETA! Uma alma verdadeiramente poética, escreva ou não, vê poesia em tudo. Como se pode ler: o poeta olha as coisas dum modo diferente.
No meio de tudo, Gabriel Sousa, entre outros, aborda o interessante caso da feminilidade algarvia. Eis uma coisa com que me debruço desde 1961.
A conclusão, por mim simplificada, o linguajar mais cantado, terá a ver com as várias e antigas influências colonizadoras. O desenvolvimento estrutural com o clima mais mediterrâneo.
Esto é um caso, que também me foi me foi possível meditar muito. 
ESCRIBA OCASASIONAL, tendo pois, como autor Gabriel de Sousa, nascido e a morar em Lisboa, foi editado pela editora USINA DE LETRAS, do Rio de Janeiro.
O livro apenas, por conseguinte,  só poderá ser encontrado no Brasil.
Para contactar esta editora: www.editorausinadeletras.com.br   

Daniel Costa




 Custódio Serôdio, acordeonista de Faro, em exibição no mercado da capital do Aigarve

terça-feira, 20 de março de 2012

EU PESCADOR ME CONFESSO

                  
EU PESCADOR ME CONFESSO

Confesso que de miúdo, por vezes, ainda andava na escola primária e ía apanhhar umas lapas, nas pedras do Lagido, assim se designa uma extensão de mar rochoso em frente á Bufarda, o local para onde se deslocavam vários amadores do tipo de pesca, digamos desportiva, com negaça e camaroeiro, das várias aldeias vizinhas.
o Lagido ficará a cerca de quatro quilómetros da aldeia, um por estrada, até ao Alto do Verissímo, à estrada que vai de Torres Vedras a Peniche, passando pela Lourinhã. Ali entroca toda a actividade local e é daí que, se vai direito até ao mar, por caminho de terra, de altos e baixos, se vai até esse magnífico oceano.
Situa-se entre a pequena prainha, com marina de Paimogo, no concelho da Lourihã a sul, e o chamado Porto da Bufarda concelho de Peniche, a norte, aquele com estrada marginal, vinda da Paria da Areia Branca, este perto da praa a estação balnear de S. Bernardino.
Porque, "o trabalho do menino é pouco, quem o despresa é louco", era preciso a dispensa do pai, que quando aprovava, era porque ia com a tia Lourdes e a senhora Alzira, pescadoras exímias de navalheiras e polvos.
A tia Loudes, era filha de pescador sazonal, o meu avô e enteada de um profissional a tempo inteiro, a quem chamei sempre avô, não admirava a propensão hereditária de se dedicar á pesca, tanto mais que, da mesma resultaria algo do sustento dos filhos..
A breve trecho já eu me entregava à faina daqueles moluscos, que reproduzindo-se, muito mais á frente onde onde chegava o fundo daquele mar pedregoso, adequado á reprodução , vindo depois para junto da costa, sobretudo, depois de Março, por uns meses, em que também as marés traziam uma imensidade de ouriços.
Os ouriços, esse manjar do mar, trazidos mais em Abril, arastados pela grandes marés de lua cheia, eram apanhados com uma foice velha, muitos leigos acorriam para os recelher às sacadas, que vinham às suas costas ou em burros, depois assados em fogueiras e rachados a meio, ainda com uma foice, e comidas assim as várias ovas amerelinhas, contidas - um verdadeiro petisco com inigualável sabor a maresia!...
Nas marés de ouriços, não se pensava noutra azáfama, nunca havia falhas, eles alí estavam espraiados à disposição de todos.
Na pesca do polvo e da navalheira nem sempre corria bem, talvez porque se avizinharia atmosfera adversa, porém no que respeita á segunda em Abril era certo o ditado: "Em Abril sete no covil", então havia noites de luar maravilhosas, aproveitando a vazante, tendo como guia o "Borda D`Água, para as marés, passava madrugadas na faina daquela pescaria.
Cheguei a apanhar quarenta, o ritual repetia-se várias noites e destinavam -se à numerosa família, mesmo sendo avantajada, ficava cheia daquele marisco de gradeza superior, tenho-o como mais saboroso do que a lagosta, por um paladar mais fino, só que muito menos carnudo.exegindo, uma certa perícia, no acto do preparo, para soborear.
O polvo da zona, com o máximo de peso de quilo, regra geral, havia quase o ano, mas com épocas de menor quantidade, a qualidade de sabor era também excelente e a mãe sabia, várias maneiras de o cozinhar.
- Que petisco!...
Ambos eram animais muito parvos, caíam como tordos, eram gulosos a tentar morder o isco.
Para a pesca do polvo, usava-se um rabo de bacalhau, uma sardinha salgada ou um caranjeijo, daqueles moiros e eles vinha atrás e nem tocavam no isco, bastava arrancá-los do buraco e zás!... Com as manápulas eram apanhados tirada a pate preta da cabeça ou ferrado, o que os fazia imediatamente esmorecer, após o que se deitavam no camaroeiro ou atá num saco que, a tiracolo, sempree era trazido.
Para as navalheiras era diferente, uma enfiada de lapas, minhocas e a ideal serrada, que dava um certo trabalho a retirar das pedras, na vazante. Com esse isco atado na ponta da negaça, punha-se no buraco e muito quietinho, esperava-se, se lá estivesse bicho este agarrava-se com as tenazes, só largava, quando filado dento do comaroeiro, um pau comprido, com uma espécíe de rede, em forma de cesto, na ponta.
Sempre presente, a idéia de chegar mais longe! Pescar com cana, foi o passo a seguir, passei a alinhar com o Júlio, um rapaz mais velho, pelo que nas horas mais vagas ou aos Domingos, lá iamos a mais uma pescaria, a uma tentativa, primeiro a pesca habiual, com negaça, depois da maré encher, pressupostamente, a criar melhor condição, lançar o anzol.
A cana, não era de bambú ou de cana da ìndia, nem tinha carreto, a chumada era feita de um qualquer resto de chumbo, que andava por casa, derretido e arrefecido, na concavidade, com o formato e a forma adequada, que havia sido préviamente, aberta numa batata.
Houve a habitual poupança, para comprar os anzóis e o fio de nylon, numa quitanda de Geraldes.
Só faltava empantar (prender) os anzóis o que foi aprendido, rápidamente, dando um prazer enorme, pois tinha aprendido a dar um nó de marinheiro, ao fim e cabo muito simples, mas parecia-me uma obra de arte.
Procuráva-se uma pedra, junto sítio que, pelas característas da água, parecia adequado e dáva.se inicio á pesca de peixes de tamanhos menores, como de sarguetes e robalos, por vezes ficámos sem dar por algum peixe morder.
Como tínha de percorrer aquele quilómetro, para chegar a casa, bastas vezes era indagado pela pesca, o que era tido como desgredável humilhação, quando nada se tinha apanhado.
Para calar as bocas, um dia, antes de resolvemos pescar cabozes na babugem do bater das ondas, o mentor que tinha de ser sempre o Júlio, aventou que com a negaça, ainda com o isco da navalheira, o mar a encher rápidamente e prestas a bater nos rochedos, os peixes a cairem e lá se conseguiu uma boa teca.
Deu-se então o regresso, não era pensável, mas a mãe exultou e disse:
- Ainda é muito a tempo, farei desse peixe um pitéu para o jantar, vão ver uma maravilha. E assim foi, nem imaginava!...
Aconteceu, um dia algo de inusitoado: Como pesqueiro, foi escolhida uma grande rocha, a maré foi enchendo, aa sair a água quase tapava a pequenez, fruto da tenra idade, o Júlio já muito assustado, atravessou rápidamente a água comigo aos ombros, mais os apetrechos e o fruto da pesca, que nem tinna sido má.
Tudo acabou, estávamos fora de perigo e aspiramos profundamente a brisa marinha.

Daniel


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CONVITE

                           


                             

SEVERA X DANIEL



            

SEVERA X DANIEL

Dois escritores
ligados por seus desejos
na junção das escritas
com as mãos espalmadas
descobrindo nos pensamentos
o despertar dos sentimentos...
By Severa Cabral
(escritora)
Direitos autorais reservados
lei 9.610 de 19/02/1998

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O QUE É UMA GALENA?



                       
Um modelo de galena

O QUE É UMA GALENA?

Muitos não saberáo o que foi um aparelho radiofónico, que julgo ter sido pouco utilizado, o qual tomou o nome de GALENA.
Pensando no assunto e porque me coube o privilégio de usar um desses receptores, proporcionando-me um período de rara felicidade, nos meus tempos de juventude.
Tentarei descrever o aparelhómetro.
Verificando vários diciónários e enciclopédias, não encontrei este nome, senão mencionando um metal como sendo um dos mais vulgares dos minerais de chumbo. Por outro lado, fazendo uma recolha, pude verificar serem os cristais de galena usados como dectetores na T.S.F.Depois destas breves pesquisas, concluì que a denominação de GALENA para o citado aparelho emissor de ondas de rádio, vem do metal galena, visto ser um pedaço desse, o principal elemento funcional da citada peça radiofónica.
Nos tempos em que utilizei o tal aparelho, porque foi na década de cinquenta, só a Emissora Nacional possuía capacidade de difusão, para se fazer ouvir com tão rudimentares recursos, que dispensava energia eléctrica. Lembro contudo de ter conhecimento da Rádo Graça, a difundir da Rua da Verónica e dos Emissores Associados de Lisboa. Concerteza haveria outros, ainda não existia TV em Portugal e a rádio sendo já uma "senhora", era uma coisa de real sedução.
Por isso a GALENA era uma verdadeira atracção, até pelo gozo que proporcionava, uma vez que era um autêntico "faça você mesmo". ainda muito míúdo lidava bem com a atraente geringonça!
Primeiro estendia um longo fio desde o cocoruto de uma árvore até uma janela, que havia no sótão. Antes da entrada, três elementos de louça ligados com a ponta do fio, evitavam qualquer contacto entre a parede e o mesmo, daí derivava a ligação para para o interior. Depois uma extensão segura a uma pedra enterrada no chão, fazendo a necessária "terra" a completar o exterior. Chegado o Verão, tornava-se necessário regar o chão, afim de ser criada a humidade nesessária ao contacto com as ondas de rádio.
Aquilo era de uma simplicidade que, por falta de uma parte dos elementos, começou por funcionar apenas com fios, com ligações aérea e terráquia, a uma ficha cada, uma das quais ligada a um pedacinho de galena, a outra estabelecia o contacto com a Emissora, com a busca de qualquer saliência a dar essa possibilidade. Um auscultador apenas fazia chegar a emissão ao tímpano respectivo, que por sua vez só era audível com aquele elemento pegado mesmo ao ouvido.
Mais tarde chegou o resto do material, que se resumia a quatro tabuinhas, com as quais foi montada uma caixa própria encimada com um pequeno rolo de vidro, onde era introduzido o tal pedaço de galena e uma espécie de monitor, composto por um fio de forma encaracolada. Ficava mais prática, rodando a peça, a forma de entrar no som do posto da Rádio Nacional. A mesma estrutura ficava a constituir o rudimentar rádio, já tinha acopladas as respectivas ligações referidas anteriormente.
Evidentemente que hoje, por puro entretenimento, ainda se podia montar um destes sistemas tanto mais que já cheguei a ver apresentado um exemplar num célebre programa de televisão, que dava pelo nome de 1-2-3.
Claro que para montar o esquema, seria necessário espaço abundante, fora de zonas citadinas, porque nestas é reduzido.
No entanto com a vivência dos dias de hoje não se pode pôr algo do género em equação, basta ver que a rádio de há cinco décadas, nem funcionava todo o dia, não havia ainda satélites, para se ter no ar todas as transmissões efectuadas actualmente, por tudo e por nada, em todo o mundo moderno.

Daniel Costa