quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mundo e Vida

Acompanhado pela esposa, ousei ir a uma recepção em 2001. Estou ao centro

A FACULDADE DO RISO

“Rir é o Melhor Remédio!”

- Era o título duma rubrica que, aparecia ao Sábado no extinto e saudoso “Diário Popular”.
Não perdia a leitura semanal dessa, não só porque me agradava, mas porque eram assuntos, que embora leves, despertavam pensamentos positivos.
Tudo na sociedade é feito de convenções, é assim que este sítio a que se convencionou chamar blogue, se pode tornar o melhor confidente.

Não sendo a solidão, porque se conta com bons camaradas e amigos, é o ideal para confidências porque se tem a sensação de pessoa isolada, a pensar e dizer coisas sem qualquer eco ou redundância.
A sensação da intimidade, na confidencialidade!
Vou começar com duas perguntas:
- Alguém sabe o que é passar sete anos sem rir, não obstante nunca ter tido “vagar” de estar triste?
- Alguém viveu a experiência de ao fim de sete anos e de repente dar, finalmente consigo a exibir o seu tradicional ar sorridente, como se de milagre se tratasse?
A resposta efectivamente terá de ser afirmativa, pois pelo menos posso testemunhar essa agradável sensação.

Aconteceu em Janeiro 2008 e pode ser atribuída aqui a este lugar do SOL onde me movo, nomeadamente dei por mim ou descobri essa faceta muito minha, da minha característica pessoal – “ANTES DE “ - ao visitar e ler o posts desse amigão que dá por poetacalmo, dito Poetinha.
O Poetinha já parece ser o amigo número um da malta, o que é capaz de fazer rir um santarrão ou as pedras da calçada, porque o próprio blogue já parece estar feito de humor.
Homenageio portanto o companheiro a quem fica bem, o que chamarei de:

- A sua grande aventura!...
- Recebe e guarda Poetinha!... Nem sonhas o que é no fim de sete anos, a descoberta desse grande remédio a que se convencionou chamar de riso!...
De facto no ano 2000 sofri uma patologias!... Daquelas que quem falar virtualmente comigo, os amigos que me dão a prazer da visita, podem dizer:
- Milagre!...

Taxativamente, estão perante um verdadeiro milagre.
O certo é que, com a ajuda da filha e a grande dedicação da esposa, ainda editei quatro números, da minha revista FRANQUIA, creio que a primeira razão vida, do DEPOIS DE!...
Um grande positivismo também terá contribuído para essa ventura.

De facto eu nem soube que vegetava, mas jamais acreditei, interiormente no inevitável que me rodeara.
Confesso que apenas por um dia senti desejo "morrer”. Aconteceu depois de dizer em casa:
- Não é possível continuar a editar a revista!...
Fica claro, o meu apreço pelo Poetinha, nessa base digo, respondendo a uma questão:

- Os meus posts sendo maiores, por certo têm que implicar outro tipo de dedicação, porém são o meu eu, como o de outro qualquer.
A diversidade de pensamentos, como os que conduzem humor é intrínseca.
Por exemplo, bem posso tentar fazer humor. Gosto imenso da faceta, mas sou incapaz de, com a palavra escrita, fazer humorismo.
Pelo meu espírito irrequieto de observador, posso concluir estar longe de ser o mais velho, talvez um dos que começaram a trabalhar mais cedo.

De certeza que ultrapassarei a média de idades, mas gosto muito dos mais novos, deles colho ensinamentos, mais deste tempo.
No entanto ainda em 2000 nascia um homem novo, que estava a entrar no século XXI e a aprender e a vivê-lo.
Confesso que me senti criança e a reaprender tudo, como tal, até me parecer que fiquei com razoável qualidade de vida, a tal ponto de os amigos me considerarem rejuvenescido, um pouco mais forte, quando na verdade, há uns anos que a balança não acusava peso tão baixo.

O convenientemente programado, efectivamente.
O meu post “AVC Acidente Vascular Cerebral”, de 21 de Junho de 2007, resumo de artigo publicado no “Jornal da Amadora”, é testemunho que julgo exemplar, sem dramatismos.
Um link do mesmo em 11 de Dezembro de 2007 em “Hino à Vida ou Conto de Natal”, que pretendeu retribuir e apresentar BOAS FESTAS, texto que por estar na web do Sapo ou do Google, com o mesmo nome se tem tornado um exemplo de numerosas visitas, de que vem chegando eco.
Por tudo é justo que, englobando todos os companheiros dos Blogues, dizer como “la cantante española Maciel” que no final da década de setenta ganhou o Eurofestival para Espanha.

Mesmo ano em que Manuela Bravo defendeu Portugal com “Balão Sobe…”, (1978 ou 1979 (?):

- “Gracias por la Vida que me há Dado Tanto!...”

FIZ UM ARRANJO AO TEXTO, RECORDANDO O ESPISÓDIO EDITADO EM - mitalaia - EM 23 DE JANEIRO DE 2008.

CONFESSO QUE ME EMOCIONEI.


Daniel Costa

domingo, 26 de julho de 2009

Mundo e Vida





BEATLOMANIA

Inveterado espírito coleccionista, colaborei em todos os números da revista COLECCIONANDO. No número 1, da segunda série de Novembro de 1985 escrevi o seguinte:

Neste espaço que me foi reservado, desde o número ZERO da anterior série, deambulei por várias áreas susceptíveis de adopção, como motivações de coleccionismo.
Facto, que se deveu à nula afluência de consulentes. De facto o CONSULTÓRIO nunca deixou de estar às moscas, porque ninguém o frequentou.
Não me sinto frustrado, não obstante pensar que uma boa questão, desde que publicitada, sempre pode aproveitar a muita gente, inclusive a que cabe a responsabilidade de esclarecer.
Tratar um assunto será sempre assegurar experiência.
Regresso com a mesma vontade anterior.
Neste número, falo-vos de BEATLOMANIA, a palavra inventada para designar coleccionadores de tudo, quanto se relacione com os famosos rapazes doa minha geração, que oriundos de Liverpool, abanavam todas as convenções societárias, dos não muito longínquos anos sessenta, fazendo música, em grupo sob a designação de BEATLES.
A princípio olhados como seres humanos extravagantes, os quatro rapazes depressa se impuseram à juventude, sempre ávida de evolução.
Depressa apareceram os postais, os cartazes, os brindes, todas as imagens de promoção, etc.
Depressa apareceram os coleccionadores de todas essas formas de falar do BEATLES, que fixaram a sua imagem mais do que, a alguém até então.
A fama dos rapazes, as suas gravações musicais e cinematográficas, o seu modo de actuar e estar, tornou-se como que mitológica.
Aqui e agora não será fácil encontrar elementos suficientes, para constituir uma colecção de peças de acordo com toda a grandeza dos BEATLES.
Talvez valha a pena tentar, visto que sempre se pode encontrar aqui e ali algo interessante.
No entanto a sugestão pode servir para casos de popularidade actual.
Deixo duas fotos, de uma série de quarenta, que serviram de brindes de pastilhas elásticas, por volta de 1964.
Repare-se nos cabelos dos rapazes:
- Eram tão compridos para a época, de que resultava escândalo e valeram aos BEATLES o apodo de guedelhudos.
Eram, mesmo, cabelos compridos?

Daniel Costa

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Mundo e Vida


FABRICAR JOGOS DE MATRAQUILHOS

Nos anos cinquenta era recorrente, em qualquer tasca haver jogo de matraquilhos.
Na aldeia da Bufarda, onde nasci e vivia, a umas dezenas de quilómetros de Lisboa, um desses exemplares criava verdadeiros cracks.
Ver jogos era o gozo da miudagem, a quem faltavam os cinquenta centavos para participar.
Incapaz de não fazer qualquer coisa a propósito, inventei produzir a minha mesa de jogo.
Se bem pensei, melhor o fiz:
- Construído de uma peça velha de madeira, que havia pelo quintal, saiu o tabuleiro.
A representação dos vinte e dois jogadores, mais os suplentes, foi feita de bocados de madeira escolhidos e serrados, nas medidas exactas em conformidade, de montanos (molhos de ramos de pinheiros) dos que a mãe comprava para aquecer o forno afim de cozer o pão,
Esses pedaços, com uma faca, foram rapidamente "burilados", com uma faca para constituírem os bonecos, que foram pintados das cores do Sporting e do Benfica.
A bola era regulamentar, andava lá por casa,
Ainda nesse Domingo do acabamento, o jogo funcionou no quintal, à vista de todos, porque era uma das minhas facetas mostrar a obra que fazia, só por isso.
No entanto atraiu a garotada, que depressa queria também jogar.
Claro que o facto trouxe nova dimensão e nesse próprio dia atribui o preço de dez centavos por cada jogo, composto de nove vezes que a bola entrasse na baliza.
Estava criada uma maneira de arranjar mais uns trocos, a mesa era muito rudimentar para o meu gosto.
Então fabriquei outro jogo com a madeira de caixotes de sabão.
Para os bonecos, não foi necessário alterar a forma, as cores tinham de sair das mesmas latas de tintas, era incomportável comprar outras.
Saíram as do Vitória de Setúbal e do Lusitano de Évora, a militarem então na primeira divisão, com algum prestígio.
Branco para os calções, como os do Benfica.
Motivado, idealizei um terceiro jogo.
Desta vez, ainda com mais realismo, isto é:
- Já com todas as nove bolas, que ao entrar na baliza, encaminhavam-se para uma cavidade interna.
Saiam, para novo jogo por meio de um arame com um gancho numa das pontas entrando num furo. Dentro movimentava uma portinhola a fazer saírem as bolas.
Tinha entretanto, aprendido o princípio de ao meter a moeda saírem as bolas mecanicamente. Porém os meus rudimentares meios não davam para mais.
As equipas voltaram a ser, Sporting e Benfica.
Os varões eram já de caniço, porque deduzi que, afinal estava encontrado o melhor material, para o efeito.
Bonecos produzidos sempre da mesma maneira. O custo por jogo é que passou a vinte centavos.
O primeiro exemplar foi desactivado, enquanto simultaneamente ficaram a funcionar dois jogos.
Preços para todas as bolsas!...

Daniel Costa

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Mundo e Vida


JESUS E OS MÉDICOS

Jesus Cristo, certo dia, cansado do tédio do Paraíso, resolveu voltar a terra para fazer o bem.

Procurou o melhor lugar para descer e optou pelo Hospital de S. Francisco Xavier, onde viu um médico a trabalhar há muitas horas e a morrer de cansaço.

Para não atrair as atenções , decidiu ir vestido de médico.

Jesus Cristo entrou de bata, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o gabinete do médico.
Os pacientes viram e comentaram:

- Olha, vai mudar o turno... Jesus Cristo entrou na sala e disse ao médico que podia sair, dado que ele mesmo iria assegurar o serviço.

E, decidido, gritou:

- O PRÓXIMO !

Entrou no gabinete um homem paraplégico que se deslocava numa cadeira de rodas.

Jesus Cristo levantou-se, olhou bem para o homem, e com a palma da mão direita sobre a sua cabeça disse:

- LEVANTA-TE E ANDA!

O homem levantou-se, andou e saiu do gabinete empurrando a cadeira de rodas.

Quando chegou ao corredor, o próximo da fila perguntou:

- Que tal é o medico novo?

Ele respondeu:

- Igualzinho aos outros... nem exames, nem análises, nem medicamentos...

Nada! Só querem é despachar...

Arranjo e postagem de Daniel Costa





quinta-feira, 9 de julho de 2009

mundo e vida

Prainha entre a cidade de Peniche e o farol de Cabo Carvoeiro.

O famoso dedregulho, Nau dos Corvos, que sobressai do mar, junto ao Cabo Carvoeiro, à vista da Ilha Berlenga, um local paradisíaco.

NOITES NOS BARES DA DOCA DE PENICHE

Trago à colação algumas noites passadas entre os estabelecimentos de bar na antiga doca do porto de pesca de Peniche no último lustro da década de cinquenta.
Tinha dezasseis anos, a família era numerosa, contava com mais sete irmãos, chegado o Verão, o pai tratava de armazenar comestíveis para o Inverno, um deles era o peixe seco ou salgado comprado em tempos de abundância.
No Verão, por haver fartura do que resultava preços mais acessíveis e ainda por se poder aproveitar bem os raios solares para a secagem. Nem sequer se falava em frigoríficos domésticos.
Havia, naquela época muito chicharro e sardinha, esperava-se que o preço baixasse, para o abastecimento. Chicharro a cinquenta centavos o par (disse bem, $50 o par), sardinha a dois escudos o quarteirão (era assim dita a contagem de vinte e cinco).
Mesmo assim, eu e o irmão imediatamente mais novo propusemos ao pai ir buscar o peixe a Peniche, para o que faríamos a viagem de cerca de dezoito quilómetros, ida e volta, a pé.
Proposta aceite e lá nos começámos a deslocar, normalmente nas noites de Domingo.
Andava-se com ligeireza e em pouco, estávamos a esperar que chegassem as muitas traineiras, a encher a grande extensão da descarga.
A espera, regra geral, era feita até madrugada passada nos bares a ver jogar dominó, assim como jogos mecânicos ou eléctricos, ler jornais sobretudo o "Diário Popular", que saindo de tarde, já trazia os resultados de todos os encontros de futebol.
Notícias a porem-me muitas interrogações:
- Como era possível?
Poucas horas após os jogos, chegarem num jornal a notícia dos respectivos resultados, como por exemplo o do Desportivo de Peniche, a militar na segunda divisão, um escalão inferior?
Apenas interrogações, mas ali estava eu a contemplar realidades, que pareciam impossíveis. Afinal só conhecia a aldeia da Bufarda, onde nascera e vivia.
As noites, cálidas do porto, com o seu mar sereno, os bares, a venda do pescado na lota tornavam-se uma festa de vida para um adolescente, já trabalhador na dureza do campo.
Madrugada fora, chegavam então as traineiras a abarrotar de pescaria e era ver a azáfama dos carregadores, em duo a transportar, numa vara em cabazes de verga com assas de cordel, todo o peixe.
Tecas feitas do mesmo; fruto do quinhão, distribuído por cada pescador, outras arranjadas que os mestres ofereciam a amigos, onde se contavam futebolistas do Desportivo de Peniche e ainda outras produzidas do que era, propositadamente, deixado cair por carregadores.
Todas estas no chão rodeadas dos respectivos vendedores a negociar, com eventuais compradores, resultavam num chinfrim, uma animação impar na noite. Dado que estas actividades eram ilegais, rondavam guardas-fiscais, a fazer vista grossa aqui, a fechar os olhos acolá, a pôr em debandada além.
As pessoas a retirarem logo para outro lado, sendo imposto apenas respeito, pois todos eram conhecidos mutuamente.
Eu e o meu irmão arranjávamos, cada uma sacada, muitas vezes negociávamos tecas de sardinha ou Chicharro. Só comprávamos a espécie de carapau quando o preço baixava a vinte centavos o par ($20) = a 0.002 cêntimos de hoje.
Depois regressávamos, com o carregamento e a satisfação da noite animada, da antiga doca, do grandioso porto de pesca de Peniche.
Era uma festa!...
Talvez a festa da capacidade de sofrimento da dura vida, dos anos cinquenta.

Daniel Costa

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Mundo e Vida

Foto, conseguida junto à costa da Nazaré, por Daniel Costa

UMA MULHER INTELIGENTE


Certo homem antes de morrer, disse à mulher:


- Ouve-me bem! Quando eu morrer, quero que pegues todo o meu dinheiro e o coloques no caixão junto comigo.


Quero levar todo o meu dinheiro para a minha próxima encarnação.


Dito isto, obrigou a mulher a prometer, que quando morresse, ela colocaria todo o seu dinheiro dentro do caixão junto dele.


Inevitavelmente, um dia o homem morre.


Foi colocado dentro do caixão, enquanto a mulher se mantinha sentada a seu lado, toda de preto, acompanhada pelos amigos mais chegados.


Quando terminaram a cerimónia, antes do padre se preparar para fechar ocaixão, a mulher disse:


- Só um minuto!


Tinha uma caixa de sapatos com ela.


Aproximou-se e colocou-a dentro do caixão, juntamente com o corpo.


Um amigo disse-lhe:


- Espero que não tenhas sido doída, o suficiente, para meteres todo aquele dinheiro dentro do caixão!


Ela respondeu:


- Claro que sim!


Eu prometi-lhe que o colocaria junto dele e foi exactamente o que fiz.


- Estás-me dizendo que puseste todos os centavos que ele tinha dentro do caixão com ele?


Claro que sim! – Respondeu a mulher.

- Juntei todo o seu dinheiro,


Depositei-o na minha conta e passei-lhe um cheque.
Desejo a todas mulheres inteligentes, uma óptima semana!


Arranjo e postagem por Daniel Costa