Mundo e Vida
PROFETAS DO NOSSO TEMPO (Crónica de 1972) Desço ao acaso a principal Avenida da grande metrópole. Vou encontrando jovens trajando vestes que primam por uma extravagância desordenada. O curioso porém, é que não consigo vislumbrar grande originalidade nos seus hábitos. Não!... Não são originais aqueles guedelhudos, de vestes coçadas, nem sempre limpas mas berrantes. Já a Bíblia nos descrevia os celebrados profetas, de uma maneira que os podemos imaginar tal como se apresentam estes jovens de cabelos compridos com que me vou cruzando. Porém, uma nova corrente de pensamento me parece transparecer através daquelas figuras. Por certo irão ficar exautas de clamar contra as paixões e sede de progresso que ameaçam a destruição do nosso género, sem que seja ouvido o seu protesto. Acompanho os grandes acontecimentos que o avanço da humanidade vai forjando, pelo que me parece estranho o arrojo daqueles humanos que procuram viver concepções à margem do progresso. Dir-se-ia serem indivíduos...