domingo, 31 de maio de 2009

Freeport - Alcochete





NÃO HÁ FUMO SEM FOGO

Propositadamente o título é um provérbio popular, que ouvi muitos nos anos cinquenta, e é deveras aplicável ao momentoso caso Freeport, construído na vila de Alcochete, agora sob investigação.
Noticiava o Diário de Noticias de ontem, 30/05/2009 ter sido constituído o terceiro arguido do caso. Tudo envolve gente, mais ou menos poderosa, que anda nas bocas do mundo.
Há suspeitas de muito dinheiro envolvido, para que aquele grande espaço, que terá sido reserva natural da fauna e flora do estuário do Tejo fosse licenciado para a construção civil.
O licenciamento, destinava-se essencialmente para ser construído o Outlet Freeport, com capitais de uma firma Inglesa.
Dizem más, línguas que a corrupção terá sido a mola impulsionadora de processo.
De facto, o processo está a ser investigado, mesmo em Inglaterra.
Há dias visitei a estrutura, que é imponente, e os contornos do caso não de aflorar à mente, porque trata-se de grandes quantias empregues.
A justiça que devia ser cega e independente do poder político, em Portugal não o é seguramente. Este empenha-se em promulgar muitas leis, talvez sem nexo, onde os advogados se podem dar ao luxo de procurar os furos, que irão ilibar os seus clientes.
Se não ilibam protelam indefinidamente, os respectivos julgamentos, até que o processo caduque, com a simplicidade da palavra:
- Arquive-se!
Actualmente nem vale a pena ser “pilha-galinhas”, porque no afã de mostrar serviço, nesses casos, a justiça actua célere.
Podemos basear-nos em muitos factos paradigmáticos, não são necessárias citações, para saber que a justiça dos pobres e a dos poderosos, não é a mesma.
Podemos apenas inferir que, coitadinha, sofre de outra doença grave, que não de cegueira.
Porém o Freeport lá está, a sul do Tejo, grato pelo maketing que lhe vai sendo feito!

Daniel Costa

quinta-feira, 28 de maio de 2009

recordar na onda do optimismo


Na foto, na decadencia, pode ver-se a coelheira e o galinheiro, que construí,
nos anos cinquenta.

RECORDAR NA ONDA DO OPTIMISMO

Devo ter nascido optimista, deve ser uma das minhas facetas congénitas. Devo a mim o direito de achar isso, a minha principal qualidade, que espero manter.
Aqui está o preâmbulo desta charla!
Para que não se pense estar aqui um saudosista, adoptei desde criança o lema - "recordar é viver".
Depois de ter saído da escola primária e de até já ter cumprido, a rogo do meu pai, alguns actos de votação, até para as presidenciais a eleger o Senhor General Craveiro Lopes.
A própria índole levaram-me a nunca ter brincadeiras, que não fossem sérias imitações do quotidiano dos adultos.
Foi assim que, não teria mais de onze anos, comecei a restaurar a loiça que se partia em casa. Daí foi nascendo alguma clientela e consequentemente os meus primeiros centavos.
Recordo o meu poder de imaginação, seria pouco menos do que prodigioso, a ferramenta existente era apenas um martelo. Com brocas em arame de aço, metódicamente, enfiadas em cabos de madeira, da minha autoria.
A primeira ferramenta servia para bater velhos arames, partidos aos pedaços e achatando-os, dobrando-os em ângulos rectos nas pontas. Chamavam-se gatos!
Numa segunda fase, com a broca faziam-se vários furos nos cacos da loiça. Depois uniam-se os mesmos pela inserção desses bocadinhos de arame (gatos). No fim alindava-os com cal branca (havia sempre em casa), pratos terrinas, cântaros e por aí fora, ficavam prontos para servirem e duraremm, até que outro tambulhão os fizessem em bocadinhos mais exiguos.
A imaginação para arranjar alguns cobres, estava sempre a aparecer e já consolidada uma fonte de receita, arranjou-se nova, essa já recorrente, visto que o mercado já existia:
- Consistiu numa bola de borracha e todos os que queriam jogar pagavam, salvo erro um tostão, organizava-se um desafio, no campo do Lusitano Clube da Bufarda, este o nome da minha aldeia no Oeste.
Não havia limitações de tempo.
Como foi adquirida a bola, se na aldeia não se vendia?...

Simples: o pai tirou o dia para ganhar a jorna. Programou o trabalho para os dois filhos mais velhos a cavar a vinha, que ficava a seis quilómetros da Lourinhã. Combinou-se trabalhar com afinco, para que eu próprio fosse à vila a pé fazer a aquisição, sem que no outro dia o pai desconfiasse da ausência.
Não teria mais do que doze anos.
A imaginação e o verdadeiro espírito de aventura estavam sempre latentes.

Com estas invenções ia havendo dinheiro, para as realizações pessoais, fora do âmbito do "negócio".
O passo seguinte foi a construção da tão desejada mesa de secretária. A obra foi elaborada a partir da madeira dos caixotes de sabão que os logistas vendiam a dois escudos cada, depois de esgotado o conteúdo, o único detergente que havia para uso.
Pregos também ali se podiam aquirir.
Ferramentas? O velho martelo, uma faca de cozinha e um serrote, que servia na poda das videiras.
Estava construída a estrura e agora as ferragens? Se as economias não chegavam?
- Simples, dispondo de inegável poder de imaginação, o problema foi resolvido com a inserção de calhas de madeira, para as portas deslizarem.
A primeira dessas realizações foi trocada por velha gillete, com um primo mais velho. É que aos treze anos comecei a rapar os pêlos da cara.
Aquela peça de mobiliário já não satisfazia, as exigências. Construí nova do mesmo modo, mais conseguida, outra sofisticação. Sempre a limitação das medidas da madeira aproveitada dos caixotes.
Esta última durou sempre em casa dos meus pais, até há pouco, quando se deu o fim, mas é provável ainda existir algures.
A madeira e o papel, afinal sempre fizeram parte do minha estrutura psíquica, para além dos tempos infantis.
Do muito, que imaginei jovem, existe em fotografia, uma casota de madeira, para recolher as galinhas a nível da terra.

Coelhos na divisão superior.
Teria chegado aos catorze anos, a mãe tinha sempre bastantes galinhas poedeiras, patos marrecos e coelhos, de cuja criação ia arranjando o seu pecúlio.
A determida altura, as estruturas de recolha desses animais estavam degradadas, o pai nunca mais decidia arrajar novas, nem tinha muito jeito.
Propus-me então meter mãos à obra. Era de prever que obtinha o apoio da principal interessada, porque o pai, apesar de tudo desdenhava, uma atitude, que talvez incentivasse, porque criava mais responsabilidade.
Bem, juntei a madeira antiga, compraram-se mais algumas peças. Em época de chuva, não se podendo trabalhar no campo, por o terreno estar ensopado, atirei-me à obra.
Para o telhado, as telhas do anterior, mas não havia meio de atinar com a feitura, de modo, a que a água saísse. Aí sim o pai, que começara por assistir com uma ponta de desdém, ensinou e deu gostosamente, a sua ajuda.
Afinal eram assim os anos cinquenta.
Agora chamariam a isto, misérias!...

Foto e texto de Daniel Costa

sexta-feira, 22 de maio de 2009

jogo da bola de pau

JOGO DA BOLA DE PAU (antigo jogo popular)

Foi no ano de 1978 que João Paulo I, ocupou a Cadeira de Pedro. A sua governação foi efémera, uma das mais curtas da história papal ocasionada pela sua morte, o que alguns comentaristas ainda hoje deixam velado que não terá sido natural.
Um jornal de Lisboa, numa curta biografia do infeliz apóstolo de Roma, fazia referência à sua apetência pelo jogo da bola de pau.
Logo nessa altura, pensei que haveria de tentar desvendar o que para muitos deveria parecer um enigma.
De facto posso assegurar, pelo que deixo descrito; o jogo da bola de pau existia, mesmo, até aos anos até aos anos cinquenta do século passado. Tudo o que tenho anotado na mente é que, esse jogo terá tido origem numa das muitas criações da Igeja, para sustentar a sua própria organização existencial.
Vi-o ainda a funcionar junto da igreja, cujo orago é a Senhora do Rosário, da aldeia da Bufarda, freguesia de Atouguia da Baleia, concelho de Peniche. Aquele jogo, pertença da comunidade católica, era alugado no fim de cada mês, pelo sistema de leilão, nos meses de Junho a Setembro, época do ano propícia a actividades lúdicas ao ar livre.
Coube-me a mim próprio e a meu irmão, sem o suspeitar darmos por finda, aquela actividade de entretenimento, que se praticava aos Domingos.
Refira-se que aquele Setembro de 1957 conheceu uma agradável temperatura, o preciso para a disputa daqueles torneios, pelo que além do aluguer ter saído a um preço elevado, pouco comum, deu um certo lucro, se considerarmos que se atravessavam tempos de miséria.
Como recordar é viver, lembro que ainda se trabalhava de sol a sol. A aldeia durante os dias da semana encontrava-se deserta e com aquela mais valia acabei por realizar um grande sonho; comprei uma bicicleta em segunda mão.
Custou a módica quantia de 475$00.
Mas, vou explicar o funcionamento do jogo: um local junto ao cemitério encostado à capela, que servia de rua transversal, havia uma barreira do lado norte, por onde os jogadores atiravam as bolas fazendo-as ganhar os efeitos pretendidos a fim de derrubar os respectivos paus, que davam pontos.
O campo tinha o comprimento um pouco superior à igreja e começava por uma grande pedra onde havia esculpidos os lugares para cada um dos palitos e mais um, situado na entrada daquele tabuleiro, a que se dava o nome de vinte, e muito naturalmente, valia mais pontuação.
Junto desse vinte havia um buraco, local onde posta a quantia de dinheiro com que cada jogador entrava. No fim de cada partida disputada em grupo, o detentor do jogo servindo como banqueiro, tirava logo a sua percentagem, sendo o restante entregue ao que ganhava.
As peças eram compostas por vinte e um paus, de cerca de de quarenta centímetros de altura e de duas bolas também de madeira, uma maior e outra menor, para certas escolhas do jogador, daí talvez a origem da denominação, jogo da bola de pau.
De notar que as condições atmosféricas, apesar da situação do campro se encontrar em sítio privilegiado, o muito vento vulgar na zona do Oeste, criava a impossibilidade de se efectuarem jogos vários Domingos seguidos, o que era prejuizo para o alugador.
Como à época ia todos os Dias do Senhor, cumprir um dos mandamentos da lei de Deus à igreja da vizinha aldeia de Riba Fria, via sempre na mesma situação um jogo da bola de pau, mas nunca o vi funcionar.
Um dos grandes jogadores, Abílio Fonseca, anos mais tarde veio a ser meu vizinho em Lisboa, na Avenida Grão Vasco.
E um pouco mais velho, em conversa sobre o assunto informou-me que também havia o jogo na aldeia de S. Bernardino, conhecida praia do Oeste, onde até 1910 laborou um convento de frades. Também a localidade pertence à mesma freguesia.
As três mencionadas, quase em linha completam, situam-se a sul do Distrito de Leiria, no limite do de Lisboa.
Ainda me lembro de alguns jogadores, para além do já citado, até pela sabedoria evidenciada daquele singular entretenimento cujos nomes ou alcunhas, como Zé Lora, Joaquim Trabulento, José Geada, Barbaceca, Gil, os dois guardas fiscais Pissarra e Alves e outros, que aos Domingos davam muita vida própria àquele local, onde funcionava um verdadeiro culto dominical aos tempos de lazer da época.
Para terminar, refira-se que o espaço onde funcionava aquele, digase, parque desportivo, bem como o cemitério adjacente, vieram a dar lugar à Casa do Povo local.
Novos e vindouros jamais conhecerão, como eu, um gozo simples daqueles tempos, o passar uma tarde de Domingo a assistir às perpécias de jogos da bola de pau.

Daniel Costa - in "JORNAL DA AMADORA - 08/12/2005

sexta-feira, 15 de maio de 2009

conto



TI ZÉ PEREIRA

(conto)


Na aldeia, muito dada à produção vinicola, acreditava-se nas visões extra-terrenas, que as lendas sempre imortalizam.
entre dois goles de bagaço, quer ao "mata-bicho", ou depois do sol posto, para amenizar a frieza das noites invernosas, os aldeões não deixavam de falar nas inúmeras visões, de que se diziam protagonistas e outros as divulgavam, transformado-as cada qual a seu "paladar".
No percurso entre as duas aldeias vizinhas, que se comunicam apenas por veredas térreas e medonhas, era corrente aparecerem as mais estranhas visões.
O clássico lobisomem , que passava célere, qual furacão que não deixasse estragos.
Um mostro estranho de vozes roufenhas, que não mais não fazia do que deixar aos seus videntes todos os pêlos eriçados.
As almas do outro mundo sempre duma alvura contrastante com as trevas, emitindo ruídos só caraterísticos da fúria dos elementos que assolam noites dos Invernos.
Apareciam também "coisas". Umas que se assemelhavam a grandes cobras, outras a pequenos animais de aspectos diferentes dos que se conheciam e que pulavam na frente do transeunte num gozo frenéticamente arreliador, que acabava por confundir o protagonista, pondo-o a magicar no mafarrico.

Sendo perdido, invariavelmente, ar resoluto o comtemplado com esta visão, que a princípio se apresentava divertida, acabava debandando desabridamente, qual atleta Olímpico, mas capaz de fazer inveja a este.
Também as bruxas, não raro, faziam a sua aparição, mas essas apresentavam-se sempre galhofeiras. As suas românticas partidinhas nunca assustavam. Eram, dizia-se, mulheres que tinham o condão de, periódicamente, incarnarem aquela metamorfose, que lhes dava ensejo de vingar com as suas sátiras os agravos daqueles que outrora as haviam "catrapiscado" a título de mero passatempo.
Ti Zé Pereira, fazia aquele trajecto com certa assiduidade, mercê dos seus negócios de lavrador médio e próspero. Fazia-o normalmente pela calada da noite, pois que do dia não lhe sobrava tempo da sua labuta campestre.
Ufanava-sa de nunca haver detectado algo de estranho e não escondia a sua descrença naqueles factos embora narrados muitas vezes com a maior convicção, por pessoas dignas dos maiores respeitos e créditos.
Ti Zé Pereira à medida que avançava em idade intensificava os seus passeios por aquelas veredas, qual notívago que procurasse na aldeia vizinha a sua aventura amorosa. Quem lhe atentasse no rosto repararia, por certo, no seu ar prazenteiro, nem sempre por o negócio ter lhe haver corrido bem, mas porque no fundo nunca deixava de trazer na mente as visões, encarando-as com um ar de desafio.
Chegou a acontecer, que o bom homem era despertado das suas cogitações pela restolhada de alguma lebre ou gato bravo, acabando por dar consigo a rir, pensando que na próxima conversa já teria o seu o seu fantasma para descrever com o "sal" que só ele sabia aplicar ás suas histórias.
Um dia porém, no regresso duma dessas rotineiras viagens, Ti Zé Pereira descortinou barrando-lhe o caminho, algo que primeiro lhe pareceu um homem inerte, depois uma larga chapa de ferro. Com o seu forte cajado de marmelo, resolutamente, tentou virar aquilo que lhe pareceu também matéria flexível e invulgar, como se realmente de ser vivo se tratasse.

Sem se assustar ainda, tentou observar e analizar o fenómeno bem de frente.
Já curvado sobre o objecto da sua curiosidade, Ti Zé Pereira ouviu uma voz, ora clara, ora rouca, que tranquilamente ia martelando palavras.
Quem vai, vai...Quem está está... Quem vai, vai... Quem está, está... Quem vai, vai... Quem está, está...
Tanto bastou para que num ápice o destemido lavrador se encontrasse em casa, mas mais branco do que as alvas paredes da sua casa térrea.
Daí em diante, quem encontrasse o Ti Zé Pereira estranhava o seu desencanto e o alheamento das coisas.

Deixara mesmo de ingerir alimentos e definhava a olhos vistos.
Não se passou muito tempo.

O sino da pequena capela da aldeia dobrava a finados pelo Ti Zé Pereira, que havia deixado o mundo das visões sem ter podido ganhar alento, para romancear a sua estranha aventura.


Miguel Foz (pseudónimo de Daniel Costa), publicado no extinto "Jornal do Oeste" de Rio Maior - 21/04/1973 (terá sido a estreia?).

segunda-feira, 11 de maio de 2009

anedota da sogra



A sogra!!!!!

O polícia de trânsito manda um sujeito que vinha a altas velocidades, parar o carro:
- Os seus documentos, por favor. O senhor circulava a 130 km/h e a velocidade máxima nesta estrada é 100.
- Não, senhor polícia, eu ia a 100, de certeza.
A sogra, no banco de trás, corrige:
- Ah, João André, que é isso? Tu ias a 130 km ou até mais!
O sujeito olha para a sogra com o rosto enrubescido.
- E o seu farol direito não funciona, diz o polícia.
- O farol? Nem sabia disso. Deve ter pifado mesmo aqui na estrada!.
A sogra insiste:
- Ah, João André, que mentira! Há semanas que andas a dizer que precisas de consertar o farol!
O sujeito fulo, faz sinal à sogra para ficar calada.
- O senhor está sem o cinto de segurança, diz o polícia
- Mas, senhor polícia, eu estava com ele. Só o tirei para lhe mostrar os documentos!
- Ah, João André, deixa-te disso! Tu nunca usas o cinto!
O sujeito não se contém e grita para a sogra:
- CALA A BOCA, PORRA!!!
O polícia inclina-se e pergunta à senhora:
- Ele costuma gritar sempre assim com a senhora?
- NÃO SR. POLÍCIA, SÓ QUANDO BEBE..., ..., ...


Arranjado e postado por Daniel Costa

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O eterno tema dos gémeos



O Eterno Tema dos Gémeos
Aparece tratada ocasionamente na imprensa falada ou escrita a temática dos irmãos gémeos. Agora veio á liça uma telenovela dos Estados Unidos, que se baseia precisamente num desses pares, de onze anos, a quem teriam trocado identidades. A telenovela designa-se "Complices al Rescate" e à mesma, pelo facto de ter sido qualificada de "educativa", foi aplicada uma pesada multa pela Comissão Federal de Comunicações (Univision), lider dos "média" hispânicos, em mais de dezoito milhões de Euros, segundo uma local de revista "única" que acompanhava o Jornal "Expresso" de 03/03/2007. A telenovela, tendo como personagem principal Belinda, começou sob o signo do êxito, mas na vida real, a troca de nomes entre gémeas não é inédita, eu próprio parto de um caso verídico para tentar relatar o que vivi intensamente. No Domingo, trinta de Abril de 1950, chegando do trabalho, por volta da quatro da tarde, com o pai e um irmão, deparámos com a família enriquecida com mais dois rebentos. Tratava-se já, da terceira e quarta irmãs. Os tempos eram maus, o ano de 1949 tinha sido de seca extrema, o que piorava as coisas para quem vivia da terra e dos caprichos metereológicos, se bem que o presente se apresentasse mais promissor para o cultivo. Quem se tinha encarregue de gerir as incidências do parto, era uma tia materna, que chorava que nem uma Madalena em face do aumento familiar em duplicado, num núcleo já de certa dimensão. A mãe é que mostrara sempre alegria, era a satisfaçao por tudo ter corrido bem. O pior chegou depois: Um dos rebentos aparecia muito enfezada, o que começou a preocupar todos, com destaque para a progenitora. Esta logo pensou, em última instância, promover-lhe o baptismo, porque naqueles casos considerados extremos a Santa Madre Igreja recomendava o Sacramento, mesmo por um leigo. Assim aconteceu, as duas crianças já tinham nomes, um ficou logo oficializado - Maria das Neves, a outra Regina Maria. Seriam ratificados aquando sacramentadas pelo Pároco da freguesia, se Deus permitisse que sobrevivessem ambas, o que por felicidade veio a acontecer. devo acrescentar que a mesma menina, em primeira instância foi ungida em casa pela velha parteira da terra, a que todos por isso e até com certa deferência, tratavam por comadre Guilhermina, pois era esse o seu nome. Chegou o festivo Domingo em que ambas as meninas, acompanhadas do pai, irmãos mais velhos, padrinhos e madrinhas se apresentaram na pia baptismal para o primeiro sacramento. Como só a mãe as diferenciava e esta, como era de tradição, não acompanhava o séquito, já que tinha de preparar o almoço para os convivas, aconteceu o que se poderia prever, a troca de nomes no registo. A mãe ficou um pouco desencantada, à primeira vista, com o sucedido mas como nada havia a fazer começou a tratar as filhas pilos novos nomes que lhe haviam atribuido no sagrado baptistério. No fundo as crianças ainda estavam longe da idade de notarem a troca. Por bastante tempo só que as tinha gerado, continuava a ter a capacidade de as identificar. Chegou a altura em que elas já com capacidade de se expressar, a um chamamento errado que até podia advir do próprio pai, faziam imediatamente a rectificação. Tempos depois já deixavam passar e respondiam a qualquer um dos nomes, por que as chamassem. De qualquer modo a criação das miúdas deu muitas preocupações, no que toca a desenvolvimento físico pois apresentara-se difícil. Tudo foi tentado, um animal asinino foi tomado de empréstimo vezes sem conta para as transportar, uma em cada cesto, daqueles dependurados no lombo do burro, a exames em aldeias vizinhas. Curiosamente, não só a serviços materno infantis, também a alguns crandeiros que era pressuposto tratarem de todos os sofrimentos, o curioso é que sendo a mãe, a senhora Madalena uma católica devota, recorria a tudo, nem que fosse infrgir a lei de Deus, o que desejava era o bem das filhas. Na procura de receitas, aconselhava-se com os próprios mendicantes, que à época apareciam só por duas batatas, um prato de sopa, ou até uns restos de comida - outros tempos!... Por vezes vinham de longe, eram verdadeiros peregrinos, andando de lugar em lugar, tinham sempre idéias que eram refutadas de boas e como tal levadas à prática por aquela grande mãe. Uma coisa de que me lembro, foi o risível de uma viagem a uma curandeira de aldeia a uns bons oito quilómetros de distância. Ali encontraria o remédio para as gémeas, na altura pareciam definhar, pelo aspecto que apresentavam. De conselho em conselho, as miúdas estariam a sofrer de algum desejo sentido pela mãe durante a gravidez. A idéia foi confirmada pela "refutada" vidente/curandeira. A receita para tal mazela constava de sete pequenos pães, começados a comer pelas bébés, depois os seus restos dados a devorar a um cão preto. Foi mais uma mesinha a não surtir efeitos, como seria de esperar. O que nunca ninguém sugeriu foi para para que se deixasse criar as miúdas em liberdade, depois essas contantes mazelas, talvez mais fruto de mentes imaginativas, pelo próprio analfabetismo desapareceriam. Elas cresceram e a alimentação adequada tudo veio resolver, era um tempo de escassez, em que a própria natureza se encarregava por interferir na selecção humana. As duas irmãs acabaram por tornar-se mulheres robustas , tendo hoje os seus próprios filhos. vivendo casadas a distâncias, como preferia de Lisboa e a cidade do Porto, continuaram com amizade de irmãs gémeas, de que é paradigma um facto recente, do meu conhecimento. A moradora mais a sul sentiu grande e invulgar mau estar físico. O mesmo levou a um pressentimento, de que resultou um telefonema para o norte. Veio a tomar conhecimento que, num hospital da segunda cidade do país à mesmo hora, a irmã gémea submetera~se a uma pequena cirurgia a que não atribuira importãncia para divulgar à própria família.

Publicado no "Jornal da Amadora" 03/05/2007 - ass. por Daniel Costa (mitalaia)

domingo, 3 de maio de 2009

COISAS DO CASAL

Coisas de Casal

AMOR ' I '

Querida, vamos ter que começar a economizar.
- Tudo bem...
Mas como?
- Aprenda a cozinhar e mande a empregada embora.
- Tá legal... Então aprenda a fazer amor e pode dispensar o motorista. (NOSSA!!!! ESSA FOI A GOTA QUE FALTAVA...)

Amor ' II ' O cara pergunta para a mulher:

- Querida, quando eu morrer, você vai chorar muito?
- Claro querido. Você sabe que eu choro por qualquer besteira... (MISERICÓRDIA.....!)

Amor ' III '

Na cama, o marido se vira para a jovem esposa e pergunta:
- Querida, me diga que sou o primeiro homem da sua vida.
Ela olha para o babaca e responde:
- Pode ser... Sua cara não me é estranha...
(Santo Anjo do Senhor.....)

Amor ' IV '

- A melhorUm casal vinha por uma estrada do interior, sem dizer uma palavra. Uma discussão anterior havia levado a uma briga, e nenhum dos dois queria dar o braço a torcer. Ao passarem por uma fazenda em que havia mulas e porcos, o marido perguntou, sarcástico: - Parentes seus? - Sim, respondeu ela. Cunhados e sogra...
(Essa pode apostar que não é loira...!!!!)

Amor 'V'

Marido pergunta pra mulher:

- Vamos tentar uma posição diferente essa noite?
A mulher responde:
- Boa idéia, você fica aqui em pé na pia lavando a louça e eu sento no sofá!!!!!
(Essa doeu.)

Amor 'VI'

O marido decide mudar de atitude.
Chega em casa todo machão e ordena:
- Eu quero que você prepare uma refeição dos deuses para o jantar e quando eu terminar espero uma sobremesa divina.
Depois do jantar você vai me trazer um whisky e preparar um banho porque eu preciso relaxar.
E tem mais: Quando eu terminar o banho, adivinha quem vai me vestir e me pentear?
O homem da funerária... Respondeu placidamente a esposa...
(essa jamais será escrava de homem...)

Amor ' VII'

Querida, o que você prefere?
Um homem bonito ou inteligente?
- Nem um, nem outro.
Você sabe que eu só gosto de você.
(Nossa...)

Amor ' VIII '

Marido e mulher estão tomando cerveja num barzinho.
Ele vira pra ela e diz:
- Você está vendo aquela mulher lá no balcão, tomando whisky sozinha? Pois eu me separei dela faz sete anos!
Depois disso ela nunca mais parou de beber.
A mulher responde:
- Não diga bobagens. Ninguém consegue comemorar durante tanto tempo assim!
(Sem comentários.....)

Arranjo e postagem por Daniel Costa