quarta-feira, 6 de maio de 2009

O eterno tema dos gémeos



O Eterno Tema dos Gémeos
Aparece tratada ocasionamente na imprensa falada ou escrita a temática dos irmãos gémeos. Agora veio á liça uma telenovela dos Estados Unidos, que se baseia precisamente num desses pares, de onze anos, a quem teriam trocado identidades. A telenovela designa-se "Complices al Rescate" e à mesma, pelo facto de ter sido qualificada de "educativa", foi aplicada uma pesada multa pela Comissão Federal de Comunicações (Univision), lider dos "média" hispânicos, em mais de dezoito milhões de Euros, segundo uma local de revista "única" que acompanhava o Jornal "Expresso" de 03/03/2007. A telenovela, tendo como personagem principal Belinda, começou sob o signo do êxito, mas na vida real, a troca de nomes entre gémeas não é inédita, eu próprio parto de um caso verídico para tentar relatar o que vivi intensamente. No Domingo, trinta de Abril de 1950, chegando do trabalho, por volta da quatro da tarde, com o pai e um irmão, deparámos com a família enriquecida com mais dois rebentos. Tratava-se já, da terceira e quarta irmãs. Os tempos eram maus, o ano de 1949 tinha sido de seca extrema, o que piorava as coisas para quem vivia da terra e dos caprichos metereológicos, se bem que o presente se apresentasse mais promissor para o cultivo. Quem se tinha encarregue de gerir as incidências do parto, era uma tia materna, que chorava que nem uma Madalena em face do aumento familiar em duplicado, num núcleo já de certa dimensão. A mãe é que mostrara sempre alegria, era a satisfaçao por tudo ter corrido bem. O pior chegou depois: Um dos rebentos aparecia muito enfezada, o que começou a preocupar todos, com destaque para a progenitora. Esta logo pensou, em última instância, promover-lhe o baptismo, porque naqueles casos considerados extremos a Santa Madre Igreja recomendava o Sacramento, mesmo por um leigo. Assim aconteceu, as duas crianças já tinham nomes, um ficou logo oficializado - Maria das Neves, a outra Regina Maria. Seriam ratificados aquando sacramentadas pelo Pároco da freguesia, se Deus permitisse que sobrevivessem ambas, o que por felicidade veio a acontecer. devo acrescentar que a mesma menina, em primeira instância foi ungida em casa pela velha parteira da terra, a que todos por isso e até com certa deferência, tratavam por comadre Guilhermina, pois era esse o seu nome. Chegou o festivo Domingo em que ambas as meninas, acompanhadas do pai, irmãos mais velhos, padrinhos e madrinhas se apresentaram na pia baptismal para o primeiro sacramento. Como só a mãe as diferenciava e esta, como era de tradição, não acompanhava o séquito, já que tinha de preparar o almoço para os convivas, aconteceu o que se poderia prever, a troca de nomes no registo. A mãe ficou um pouco desencantada, à primeira vista, com o sucedido mas como nada havia a fazer começou a tratar as filhas pilos novos nomes que lhe haviam atribuido no sagrado baptistério. No fundo as crianças ainda estavam longe da idade de notarem a troca. Por bastante tempo só que as tinha gerado, continuava a ter a capacidade de as identificar. Chegou a altura em que elas já com capacidade de se expressar, a um chamamento errado que até podia advir do próprio pai, faziam imediatamente a rectificação. Tempos depois já deixavam passar e respondiam a qualquer um dos nomes, por que as chamassem. De qualquer modo a criação das miúdas deu muitas preocupações, no que toca a desenvolvimento físico pois apresentara-se difícil. Tudo foi tentado, um animal asinino foi tomado de empréstimo vezes sem conta para as transportar, uma em cada cesto, daqueles dependurados no lombo do burro, a exames em aldeias vizinhas. Curiosamente, não só a serviços materno infantis, também a alguns crandeiros que era pressuposto tratarem de todos os sofrimentos, o curioso é que sendo a mãe, a senhora Madalena uma católica devota, recorria a tudo, nem que fosse infrgir a lei de Deus, o que desejava era o bem das filhas. Na procura de receitas, aconselhava-se com os próprios mendicantes, que à época apareciam só por duas batatas, um prato de sopa, ou até uns restos de comida - outros tempos!... Por vezes vinham de longe, eram verdadeiros peregrinos, andando de lugar em lugar, tinham sempre idéias que eram refutadas de boas e como tal levadas à prática por aquela grande mãe. Uma coisa de que me lembro, foi o risível de uma viagem a uma curandeira de aldeia a uns bons oito quilómetros de distância. Ali encontraria o remédio para as gémeas, na altura pareciam definhar, pelo aspecto que apresentavam. De conselho em conselho, as miúdas estariam a sofrer de algum desejo sentido pela mãe durante a gravidez. A idéia foi confirmada pela "refutada" vidente/curandeira. A receita para tal mazela constava de sete pequenos pães, começados a comer pelas bébés, depois os seus restos dados a devorar a um cão preto. Foi mais uma mesinha a não surtir efeitos, como seria de esperar. O que nunca ninguém sugeriu foi para para que se deixasse criar as miúdas em liberdade, depois essas contantes mazelas, talvez mais fruto de mentes imaginativas, pelo próprio analfabetismo desapareceriam. Elas cresceram e a alimentação adequada tudo veio resolver, era um tempo de escassez, em que a própria natureza se encarregava por interferir na selecção humana. As duas irmãs acabaram por tornar-se mulheres robustas , tendo hoje os seus próprios filhos. vivendo casadas a distâncias, como preferia de Lisboa e a cidade do Porto, continuaram com amizade de irmãs gémeas, de que é paradigma um facto recente, do meu conhecimento. A moradora mais a sul sentiu grande e invulgar mau estar físico. O mesmo levou a um pressentimento, de que resultou um telefonema para o norte. Veio a tomar conhecimento que, num hospital da segunda cidade do país à mesmo hora, a irmã gémea submetera~se a uma pequena cirurgia a que não atribuira importãncia para divulgar à própria família.

Publicado no "Jornal da Amadora" 03/05/2007 - ass. por Daniel Costa (mitalaia)

6 comentários:

D'Rimba disse...

simples é bonito e muito conciliar razão e da mente ......

Dulce disse...

Daniel

Um relato interessante, mesmo. É bem curiosa essa ligação entre gêmeos. Já ouvira falar muitas vezes, e pensava que talvez fosse lenda, as você o confimou em seu texto.
Isso é muito curioso. Mas a vida é mesmo cheia de curiosidades...
bjs.

BOTINHAS disse...

Amigão Daniel
Faziam falta muitas funcionárias iguias a esta, pois o que não falta são mariolas a armar aos cucos!
Merecia mesmo uma medalha.

Até breve.

Abraço fraterno
Botinhas

PS - ESTE TEU TEXTO É ESPECTACULAR!
E SABES QUE ISSO DOS GÉMEOS SENTIREM, UM O QUE SENTE O OUTRO, À DISTÂNCIA, É MESMO VERDADE. CONHEÇO ALGUNS CASOS QUE O CONFIRMAM.

D'Rimba disse...

Vou novamente este INDAHKAN CUBA DE MEU BLOG PARA durante durante. Obrigado pela modificação significa JENGUKLAH ... Sempre ...

poetaeusou . . . disse...

*
texto
muito interessante, Daniel,
,
um abraço,
,
*

BOTINHAS disse...

Amigão Daniel
O que é preciso é haver bom humor.
Assim a vida custa menos a suportar quando a coisa fica preta...

Abraço fraterno
Botinhas

Estou te esperando para mais uma risada.