sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Mundo e Vida

SARGENTO PINEDO

Há homens que marcam as nossas vidas, pelo lado positivo, chefiando-nos, talvez por uma certa percepção de nos entenderem.
Aconteceu com o então Furriel Pinedo, que na vida militar tinha passado a comandar a Secção de Armas Pesadas a que pertencia.
Já mobilizados para a Guerra do Ultramar, em 1961, aguardámos ordem de embarque, como adidos, no quartel de Infantaria 4 em Faro.
Naturalmente, o trabalho principal era o dos exercícios de adaptação ao conflito armado que nos esperava.
Havia-os de toda a ordem, quer físicos ou outros.
Aconteceu um dia, nos habituais períodos e 45 minutos, o preenchimento de um foi, tomar conhecimento de como funcionava um novo rádio transmissor.
O Furriel Pinedo deu a explicação e depois, fez perguntas sobre a forma como tinha sida apreendida a sua mensagem. Ninguém fora capaz de dar uma definição convincente, até que chegou a minha vez. Muito naturalmente, falei do rádio teoricamente de tal maneira que o próprio Pinedo se entusiasmou.
Fiquei-lhe sempre nas boas graças.
Pouco tempo decorrido, o Esquadrão, recebeu a visita do Brigadeiro, Comandante da Região Militar do Sul. Como sempre, nestes casos há que mostrar algo de considerado positivo, o que recaiu na perfeição como era feito funcionar as metralharas pesados BREDAS, a secção que o Pinedo comandava.
Sendo eu um dos especialistas da arma, recaiu em mim a tarefa de fazer a apresentação do seu funcionamento.
Cerca de dois anos mais tarde, em Angola, o destino fez com ambos fossemos destacados para a Província da Lunda. O Esquadrão era um arranjo com militares de todo um Batalhõe da Cavalaria.
Logo se começou a entender que, vários especialistas sectoriais, eram inadaptadas. Equacionado a problema, o Pinedo propôs-me, para substituir o Sargento do rancho, missão que cumpri nos últimos meses de comissão em Angola.
Fiquei sempre grato ao Sargento Pinedo pelo relevante facto. No fim fui distinguido pelo Comandante com um louvor registado.
Como vinha escrevendo a minha experiência da guerra, ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA, no meu blog mitalaia, um conterrâneo, a acompanhá-lo sem o saber, alertou-me em Mail para a sua morte repentina, a tomar o banho, sem nada o fazer prever.
Aconteceu em Julho de 2008, um mês depois da foto que reproduzo, apresenta o Pinedo, no mês anterior ao falecimento.
Um outro grande companheiro, seu conterrâneo. Faleceu pouco depois por suicídio.
Nos dois casos a informação, assim como a foto, vieram da mesma fonte, do amigo comum, Velez, a quem agradeço.
Pinedo jamais esqueci, foi um homem que me reconheceu valor, Alfredo Teodoro, que já soubera ter perdido uma vista num acidente de caça, porque, fui colega próximo, percorremos de Jeep milhares de quilómetros.

Da esqueda pra direita: Sargento Pinedo, Afredo Teodro e o Autor

Quando me chegam noticias da morte de alguém ex-colega do Esquadrão a solidariedade vem ao cimo e assoma o silêncio respeitoso.
Porém, não posso deixar de recordar com saudade imensa, os dois nomes citados, até pelas circunstâncias em que deixaram o mundo.

Daniel Costa

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mundo e Vida

PENSAR NOS OUTROS

Daniel Costa, por natureza tímido, sempre sentiu necessidade de escrever para expressar ideias e sente o acto como, necessariamente solitário, ao mesmo tempo a conversar com uma vasta plateia.
A partir daí, pensa mais nos outros, no que gostarão de ler. Embora se sirva da sua experiência de vida, para expor ideias. Sem isso lhe importar, acaba mesmo por a reflectir.
Porque ama o mundo, em si, é sempre no outro que pensa. Esse é o seu modo de estar na vida. O que escreve pode por vezes parecer ficção, mas a incrível realidade pode ultrapassá-la.
José Augusto Roussado Pinto, um jornalista e escritor multifacetado, seu amigo pessoal, por este uma vez questionado sobre certos assuntos a parecer inverosímeis, tratados no Jornal “O Incrível” que criou e dirigia respondeu:
- “Limito-me apenas a escrever a realidade!...”
Na verdade, Daniel Costa chegou também à conclusão não ser necessário ficcionar. A sua escrita reflecte a sua vida, as suas observações, parecendo ficção.
No entanto o realismo está sempre presente.

Daniel Costa

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mundo e Vida

POEMA E DEPOIMENTO

Tendo vindo homenagear mulheres em poemas nominais específicos, a partir do que escrevem. Descrevo o que sinto em cada caso e confesso não ficar descansado, enquanto não recebo um comentário de quem facultou o nome e fotos.
Invariavelmente, recebo E-Mail tranquilizante, o que faz passar o stress provocado pelo receio de ser menos objectivo.
De todos os comentários em Mail, permito-me destacar o que recebi da Dirivete:

Agradecimento‏

De: Dirivete do Nasicmento Santos (dirimiguel@hotmail.com)


Enviada: terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010 1:33:20

Para: fozmiguel@hotmail.com

1 anexo

Ramon 023...JPG (246,2 KB)

Querido,poeta e professor Daniel.

Agradeço-te de todo o meu coração pelo poema feito em minha homenagem.

Não canço de ler e reler este maravilhoso poema.Mesmo sem querer as lágrimas teimam em cair.

Este poema é a minha personalidade pura,pois trás o meu nome envolvido com o mar que tanto amo,

ele é a minha vida.hoje mesmo fiquei até as 8:30 da noite nas deliciosas ondas do mar,acho que

deveria ter nascido um peixe ou algo parecido,pois tudo que vem do mar me encanta.Fico muito contente quado

imaginando que eu poderia ter sido um grão de areia molhada com as águas salgada do mar.Minha alma de criança

adora se deliciar nas areias e nas águas deste imenso mar dado de presente por Deus.

________________________________________
Acompanhava a seguinte foto:



http://sol.sapo.pt/blogs/mitalaia/archive/2010/02/03/POEMA-DIRIVETE.aspx

Caso com o link não se obtenha o poema, escrever poema dirivete no Google e carregar obtém-se facilmente.

Actualizei com nova foto:


Daniel Costa

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mundo e Vida

O SPORTING
Em poesia

“O Sporting em poesia” é um livro, o quinto, que a poetisa Lili Laranjo acaba de editar. É composto de poemas, como se pode imaginar, são apenas dedicados ao Sporting, de que a autora é adepta de coração.
Tendo a chancela da Fronteira do Caos Editores, conta com prefácio de outro conhecido sportinguista, o Padre Vítor Melícias.
Do livro, de formato 15 X 22, de 126 páginas, pode ler-se na badana da capa o seguinte:

Cidália Maria Ferreira Castro Laranjo fez licenciatura em Animação Sociocultural e mestrado em Educação Social, é professora do ensino do ensino básico, pintora e autora de cinco livros de poesia e um de provérbios. A família em especial os dois netos, Raul e Francisca, bem como os amigos, as crianças, a arte, a pintura, a poesia e o Sporting são as suas maiores paixões, parecendo sempre sentir, do fundo da sua alegria, o pressentimento do alvorecer.
Seja de que emblema clubista se for, desde que não haja uma forte motivação fundamentalista, estes poemas de Lili, falam de futebol, como um desporto movimentado e extremamente interessante num livro de poesia.

Veja só:

Depois…
Recuou…
Olhou…
Correu…
Rematou…

E a bola…
Linda…
E obediente…
Como por magia…
Faz um arco…
Arco cheio de encanto…
E entrou…

E foi aninhar-se…
No canto da baliza
E ficou para sempre…
Como sendo…
O cantinho do Morais…
Que não esquece mais!

Um poema, que pode ler-se na página 26 de “O SPORTING em poesia”, uma singela história de um dos mais brilhantes momentos do futebol português, protagonizado pelo Sporting, mormente, por Morais, numa jogada que ficou famosa e desde logo conhecida como “Cantinho do Morais” tal como se recorda no poema.
O Sporting nesse ano de 1963 (creio não errar) veio a sagrar-se campeão europeu, da última edição da Taça das Cidades com Feira.
O livro ao custo de 12,20 €, pode ser solicitado à autora:

E-mail - cidalialaranjo@yahoo.com.br

Daniel Costa