segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

desastres de bicicleta

BICICLETAS E DESASTRES

Na final do século passado comentava-se com, certa jocosidade, haver desastres mortais, envolvendo ciclistas, em Havana, capital da Cuba, de Fidel de Castro.
De facto, parecia fantasmagórico, no final do século XX, chegar notícia de desastres mortais de bicicleta na capital dum país.
No entanto, retive na memória dois amigos, que se finaram na estrada em desastres de velocípedes. Ambos eram bastante traquejados, a percorrer grandes distâncias, tendo como veículo de transporte a “flausina”, como por vezes lhe chamavam no pedaço.
O Carlos Pedro, estando a cumprir o serviço militar, no Forte da Ameixoeira, em Lisboa, todos os fins-de-semana, ia a casa passá-los fazendo o trajecto, ida e volta, Lisboa – Miragaia, concelho da Lourinhã, na sua bicicleta de corrida, preta. Correu sempre tudo bem.
Em 1967, passou à peluda, como então se dizia.
Na região, no Verão chegam as festas populares, do terceiro dia, fazia sempre parte uma corrida de bicicletas, para o que havia sempre disponíveis ciclistas amadores. Caso por exemplo, de João Roque, que viria a vencer uma Volta a Portugal.
Ainda o cheguei a ver correr, nesses circuitos.
Pois, o meu amigo Carlos Pedro adorava entrar nessas corridas, ganhava taxativamente 20 paus, ou seja o cachet do último contemplado. Creio que era o sétimo.
Todas as Terças-Feiras, lá ia ele participar, em mais uma voltareta. Até que um dia, regressando à noitinha, de mais uma prova, numa aldeia, próxima de Bombarral.
Na estrada que vai daquela vila á da Lourinhã, embateu noutro ciclista, que seguia em sentido contrário e zás: morte instantânea!...
Passados uns meses, o Lia (alcunha, por que era tratado), também da vida militar em Lisboa.
Fazia sempre, o caminho de bicicleta para casa, nos fins-de-semana, Lisboa – Bufarda, concelho de Peniche.
A 21 de Janeiro de 1978, véspera da Festa a Santo Antão, na terra. Ia ele a caminho, quando foi abalroado por uma furgoneta. Morte imediata.
Este como, ainda era militar, deslocou-se ao cemitério da Bufarda, um grupo de solados, que o homenagearam com uma salva de tiros.
Ambas de distâncias, são cerca de 90 quilómetros.
Mesmo, em meados do século passado, na capital, não me recordo de alguma notícia de desastre com bicicletas em Lisboa.

Daniel Costa


1 comentário:

Cristiana Fonseca disse...

Olá Daniel,
resolvi visitar-ti neste teu belo blog, e mais uma vez me encontro encantada com tuas escritas.
Tuas poesias são belas,tem sindo algumas de minhas leituras favoritas.
Agora os teus contos também são ótimos.
Voltarei para ler, e também para comentar sempre que eu puder.
Belo fim der semana e muito obrigada pela visita.
Abraços,
Cris