terça-feira, 16 de dezembro de 2008

historietas

HISTORIETAS

Andaria pelos meus doze anos, não mais, lá na terra, era muito atento, mas havia muito respeito, por parte dos adultos, por crianças, ou por mulheres.
As conversas um pouco mais picantes, como certas anedotas, passavam-se apenas nas tertúlias de Domingo à tarde, nas tabernas, entre homens.
Os rapazes da minha idade eram imediatamente afastados, até porque nem tinham idade para as frequentar. Porém a minha, então débil estrutura, dava para entrar no grupo e não sei como, teimava fazendo-me passar despercebido, ouvia tudo e interessava-me pelas conversas dos adultos.
Em breve, era jeitoso a contar histórias, então começara a ser chamado, quando aparecia o conhecido Berra, ou seja, o senhor Francisco José do Vale, o nome que ele próprio fazia questão de declinar.
Normalmente, quando aparecia o Berra, como um bom mestre sapateiro, vinha de fazer entregas de trabalhos, em aldeias vizinhas, onde bebia uns copos. E então era vê-lo prazenteiro a contar saborosas histórias, que ele próprio tinha inventado, para o se reportório e outras.
Achava-o um sucesso, tão elevado, que eu próprio, ainda o vejo desfilar ao imitá-lo.
Em resumo, por vezes passei a actuar nos seus tempos mortos.
Tinha decorado muitas anedotas e histórias, juntava um certo jeito para as contar, que mais tarde perdi talvez, porque outras vidas passaram ocupar-me a mente.
Numa homenagem ao grande Berra, de quem fiquei admirador, vou deixar uma, muito dele e que nunca esqueci. É mais história, que anedota e tem algo de picante, com apenas uma palavra menos própria, repetida, Começa em F, mas que substituirei por LIXA porque, jamais me habituei a soltar palavras menos próprias.

HISTÓRIA:
Noutro tempo um lavrador que tinha três filhas, aquilo a que se poderiam chamar de estampas, contratou um criado para trabalhar nos seus campos agrícolas.
O criado era novo e esbelto. Era necessário levar-lhe o almoço, a tarefa recaiu numa das ingénuas filhas. Era Verão e esta foi encontrá-lo nu, deitado de rabo para o ar.
Face à admiração, a criado disse que estava a apanhar banhos de sol, que eram de uma suavidade maravilhosa.
A rapariga ficou entusiasmada e disse que também queria.
Depois de deitada o criado disse:
- As mulheres têm dois furos, o sol entra num e logo sai pelo outro. Só tapando um se fixa!
O pobre do rapaz lá teve de tapar um, para que tudo desse certo. A felicidade foi balsâmica.
Chegada a casa contou à irmã o sucedido, esta curiosa disse logo:
- Amanhã vou eu levar o almoço ao criado!
A cena repetiu-se com muito agrado desta, Tão satisfeita ficou, que logo disse à terceira irmã.
A mesma coisa: amanhã levarei eu o almoço ao nosso criado.
Inevitavelmente, nova grande satisfação!
Passados nove meses, todas as miúdas começaram a ficar agoniadas.
Os pais acharam por bem chamar o médico.
Ainda era o tempo, que estes, se deslocavam a cavalo. Prendera-o o seu à entrada.
À saída não o encontrou, então retrocedeu e perguntou:
Como se chama o vosso crido?
Lixa três!
Pois, agora fica a chamar-se lixa quatro!
Lixou cada uma das três meninas, que vão ter um filho cada e lixou-me a mim, que me roubou o cavalo!

Daniel Costa

2 comentários:

LUZIMAR disse...

Muito bom texto e historia.

passando para desejar um lindo fim de noite.

Beijos no coração.

poetaeusou . . . disse...

*
daniel,
quatro ?
está é tudo lixado,
,
abraço, sem lixa,
,
*