sábado, 28 de março de 2009

último almoço

ÚLTIMO ALMOÇO

Amigo Daniel. Como é o último almoço que faço, gostaria que estivesse presente no dia 28 em Pombal.

Por favor, diga-me alguma coisa.
Um abraço Sampaio

Está On-line, este texto, que me é dirigido, Quando vi a convocação, logo agarrei o telefone, para dizer ao amigo Sampaio, que não iria.
Não o encontrei e negligentemente, tenho de confessar, esqueci.
Ficam as desculpas sinceras.


Há razões íntimas, muito pessoais, para falhar este almoço, como outros que me agradariam.
O Sampaio sabe quais são.

Depois, um outro colega, vizinho amigo de desde há 47 anos, no Esquadrão 297, em Angola, que não falhava um almoço anual de confraternização, está agora desmotivado.
A última vez, tê-lo-ei forçado. Foi em 2004, fazíamos 40 anos de regresso. Foi lançado o livro “HISTÓRIA DA GUERRA – ANGOLA 62/64”, de José Pereira da Cruz, médico miliciano no 350, historiando a saga de todo o Batalhão.
Curiosamente, convivia com a minha patologia de 4 anos. Estranhei não ter sido reconhecido. O próprio General Alves Ribeiro, comandante do 297, ainda Capitão, teria informado, da minha partida para o além.


Este ao receber correio meu telefonou, e disse textualmente: “afinal és mesmo tu!... Agora tenho de voltar a fazer contactos diversos, desfazendo a notícia da tua morte”!


Agora tenho consciência ter sido temerária a teimosia, em participar naquele almoço, a minha mulher foi, de uma humanidade extrema a ajudar-me, sobretudo nos aperitivos e em tudo.

A seguir publiquei, em capítulos no Jornal da Amadora, o meu sonho chamado “ESQUADRÃO 297 EM ANGOLA”, de que enviei cópias, conforme foram saindo, para o General Alves Ribeiro.

Queria dizer ao Sampaio, grande organizar destes almoços, ter sido a primeira pessoa a falar-me em tal organização, ainda nos anos sessenta. Estava ele ao serviço do Banco Espírito Santo, dependência de Camões, em Lisboa.

Pensando no falecimento, ainda recente do General Alves Ribeiro, um grande militar, actualmente, mais qualificado de quantos serviram a Pátria, no Batalhão 350, quiçá do próprio país, no princípio comandado, pelo Tenente-Coronel Costa Gomes, irmão do que foi Presidente da Republica e Marechal, do mesmo nome.


Curvo-me perante os que na Região dos Dembos deram a vida pela Pátria, e os muitos que faleceram depois.
O primeiro de que tive conhecimento, foi o Branquinho, com uma relojoaria no Cartaxo, onde o visitei e outros, como o Júlio Resende, a trabalhar do Porto, como mecânico.
Associando-me, em espírito, ao evento de hoje perto de Pombal, passo a transcrever, do meu diário pessoal, os meus três dias 28 de Março passados em Angola, o último já de regresso a bordo do navio Vera Cruz:


1962: dia vinte e oito fui fazer uma escolta a Vista Alegre e ao Lifune, o resto do dia, como carpinteiro a construir uma barbearia. (a ajudar, entenda-se).

1963: Dia 28 de Março, fui escoltar viaturas civis a Mucondo. Foi uma escolta que levou o dia inteiro, devido ao dia ser chuvoso. Fiz hoje a entrega da metralhadora Breda, aos meus substitutos, fi-lo depois de andar por estes caminhos tortuosos, aproximadamente, oito mil quilómetros. Durante todo este percurso, apenas ouvi três ou quatro tiros do “bandido da mata”.

1964: Dia 28, o mar está bastante agitado, por conseguinte o Vera Cruz dá bastantes balanços o que faz as nossas cabeças andarem um pouco à roda. À noite a bordo vi o filme; “Quatro Raparigas”. (SIC).
Linck’s:
http://sol.sapo.pt/blogs/mitalaia/archive/2008/12/18/_D300_BITO.aspx
http://sol.sapo.pt/blogs/mitalaia/archive/2007/12/28/O-REGRESSO-DE-ANGOLA.aspx
http://sol.sapo.pt/blogs/mitalaia/archive/2008/04/19/BATALH_C300_O-350.aspx
http://sol.sapo.pt/blogs/mitalaia/archive/2008/04/22/_2200_CONFESSO-QUE-VIVI_220021002E002E002E00_-_2D00_-26.aspx_

Clicar e ver também:
http://acasadamariazita.blogspot.com/

http://botinhas-obotinhas.blogspot.com/

Daniel Costa

1 comentário:

BOTINHAS disse...

Amigão Daniel
Mas é claro que sim!
O gajinho apenas queria ser gentil, receber a náufraga com todo o conforto!!!
Só mentes sujas podem ver outras intenções...

Abraço fraterno
Botinhas

COMOVEU-ME O TEOR DO TEU POST. AS RECORDAÇÕES DOS OUTROS ÀS VEZES ARRASTAM AS NOSSAS...QUE NEM SEMPRE SÃO ALEGRES. MAS ENFIM, É A VIDA...HÁ QUE SEGUIR EM FRENTE.