terça-feira, 8 de setembro de 2009

Mundo e Vida

Cidade de São Paulo, confratenização

AMÉRICO TOZZINI


Na verdade há pessoas marcantes na nossa vida.
E o caso do Américo Tozzini.
A nossa amizade não chegou a este século. Segundo julgo, o motivo foi a inevitável viagem ao mítico mundo dos falecidos.
Afinal sabia que estava já na presença de um amigo de idade avançada, por outro lado a sua escrita já denunciava decrepitude.
Mas devo render-lhe a minha homenagem, porque ao iniciar-me como Director e Editor de uma revista, logo recebi o apoio dele, alguém de longe e enquadrado em assunto tão especializado, como é do vasto mundo comunitário da filatelia.
A minha intenção era abranger tudo o que fosse a comunidade de língua portuguesa, incluindo o Brasil.
Daquele país estendia-se-me logo uma mão.
O Tozzini fazia uma coluna especializada no Jornal de São Paulo, assim como o "Cinco Minutos com a Filatelia", no programa radiofónico "Pulo do Gato", da Rádio Bandeirantes.
Do Brasil passei a receber, regulamente vasto correio. O amigo Tozzini sempre com as novidades brasileiras do âmbito e o importante estímulo.
Passou a tomar iniciativas, sem me consultar, fazendo publicidade à minha publicação, com a oferta de assinaturas aos ganhadores de um concurso no "Cinco Minutos com a Filatelia", promovendo a Revista FRANQUIA, em determinada altura.
Promovia-a também entre os muitos jornalistas brasileiros da especialidade.
Fazia muitos comentários, a propósito e atirava expressões, como fulano é daqueles que se "põe em cima do muro, espera que a procissão passe para saltar para a frente". Achei este dito o máximo, adequava-se perfeitamente à pessoa em questão.
Como Director em tudo o que escrevia usava o pseudónimo de Miguel Foz, por admiração familiar, talvez como homenagem, sobre isso escreveu:
- "Você com um nome tão machão, como Daniel Costa não precisa nada de pseudónimo".
O pseudónimo estava devidamente registado e lá lhe expliquei os meus porquês da utilização.
Cheguei, mesmo a ter uma pasta especial onde arquivava essa vasta correspondência.
Actualmente mantenho vários documentos por serem peças de filatelia e uma pasta de recortes de jornais do Brasil, onde está expresso o meu nome, ou da revista.
Por fora das cartas sempre me "mimoseava" com palavras como Jornalista ou Editor.
Durante cerca de trinta anos durou a troca de correspondência com o Tozzini, até que se calou.


Daniel Costa

3 comentários:

Dulce disse...

Daniel

Sempre é tão dificil perdermos um amigo... Mas ficam as lembranças e com isso permanece a presença do que se foi transformada em saudade.
Um abraço

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Oi, meu amigo!
Seu passado é lindo, como o seu presente e como o futuro que lhe está reservado.
Gostei da prosa saudosa do amigo do "Pulo do Gato", programa que meu pai sempre acompanhou, e se perdia, perdia o dia.
Como você conheceu gente do mundo todo, pelo visto. Mas estar tão próxima desta que lhe escreve e admira, emociona, e muito, embora na época fosse uma menininha, o que, de certa forma, ainda não deixou de ser.
Sua paixão pela filatelia é algo que também comove. Identifico-me pela intensidade que põe naquilo a que se dedica. Isso é um pouco perigoso, pois se aplica também às relações humanas e, nesse quesito, estou péssima, mais especificamente na relação amorosa. Mas não vai passar nunca essa dor? Daniel, me diga, vc é mais experiente, até quando dura?
Fiz minhas publicações de hj, acho que o amigo ainda não em visitou. À tarde, publico no POESIA.
Agora, saio.
Beijos e beijos,
Renata

xistosa - (josé torres) disse...

Quando os amigos partem, levam-nos uma parte de nós e ficamos mais pobres.
Mais a mais um incitador e admirador do nosso trabalho.
Bonita homenagem de quem só restam "vivas", a correspondência e os recortes da imprensa.
Por amor ao que gostamos e nos seguiu a vida inteira.
Um abraço.