sexta-feira, 12 de junho de 2009

mundo e vida

História:

Brinquei muito no segundo moinho com os filhos do moleiro. Em 1968, quando entrei na Bertrand & Irmão (nada tinha a ver com a Bertrand Livraria), o calendário com os moinhos, para 1969, fazia parte dos materiais que me esperavam em cima da mesa.
Enviei de imediato um calendário ao meu pai. Este ufano mostrou-o ao moleiro, proprietário do primeiro, que já não o largou, puxou por 2$50 e não houve outro remédio senão aceitar.
Há, relativamente pouco tempo, casualmente encontrei o fotógrafo, então cineasta da RTP e fora a Peniche fazer filmagens para a Televisão.

PROVÉRBIO POPULAR

“MUDA-SE DE MOLEIRO, NÃO SE MUDA DE LADRÃO”

///// /////

Na Bufarda, no Oeste, Peniche, nos anos cinquenta ouvia muito este provérbio.
A aldeia fica num cabeço, ao nível da Ilha Berlenga, que dali se avista, ali trabalhavam cinco moinhos de vento, quatro deles em fila e o provérbio naquela altura tinha razão de ser.

E a anedota seguinte?
Porque será que os moleiros são os únicos que roubam e vão para o céu?
Ora!…
Porque roubam de joelhos!

Explicação:
Os moleiros, enquanto preparavam a farinha para entregar às freguesas, de onde tiravam a maquia, ou seja a sua percentagem, faziam-no de joelhos.
Já não há moleiros, para brincar, mas há cada sacador de grandes maquias!...
Meus deuses!...


Daniel Costa

4 comentários:

Efigênia Coutinho disse...

Daniel Costa, ler seu texto de hoje somente vem a somar para a história, rendo-me diante de
"o mundo e vida".

PARABÉNS

Efigênia Coutinho

Dulce disse...

Daniel

Você sempre tem uma história, interessante, pitoresca, para nos contar. Uma delícia ler os seus textos.

bjs.

Princesa disse...

“A vida não é feita só de lembranças.
Ela continua nas promessas diárias
e nos pequenos gestos que fazem a
alegria dos que caminham sempre juntos“

Beijos carinhosos..

Tentativas Poemáticas disse...

Amigo Daniel
Recordou-me os tempos em que vivi na charneca, no Ribatejo, mais exactamente no Arripiado (Chamusca) e não me sai da mente aquele homem bom, o barulho das pedras a moerem o milho durante toda a noite, assim como a água a cair na azenha.
Um grande abraço, amigo.
António